Archive

Posts Tagged ‘Universidade’

Excessiva simplificação do Método Científico no Ensino de Ciências

março 20, 2011 Deixe um comentário

Um artigo da autoria de Anna Kuchment, reportando um simpósio sobre educação científica ocorrido no congresso anual da American Association for the Advancement of Science foi recentemente publicado na revista Scientific American.

Mark Stefanski, professor do ensino médio americano, em apresentação no painel “Aiming for Scientific Literacy by Teaching the Process, Nature and Limits of Science”, apontou no sentido da existência de uma estratégia pedagógica de ensino de ciências, utilizada desde o ensino médio, que descaracterizaria tanto a concepção do método quanto da natureza do conhecimento científico. Em outra apresentação no painel, Judy Scotchmoor, da Universidade da Califórnia, argumentou que tal estratégia induziria a formação uma imagem simplificada do conhecimento científico, o que, ao final do processo educacional, acarretaria no desinteresse pela ciência da parte dos jovens.

Em sintonia com esta observação, podemos notar que também na educação científica brasileira, ao invés de enfocar a complexidade de problemas devidamente contextualizados, os livros-texto e a pedagogia utilizada nas escolas privilegiam a abordagem de questões estereotipadas, para as quais haveria uma única solução considerada correta. São estas as questões frequentemente apresentadas nas provas, por meio das quais se avalia a aprendizagem. Ao longo do processo de formação, tais procedimentos favoreceriam uma visão distorcida da dinâmica do conhecimento, levando os alunos a concentrarem seus esforços na memorização de receitas prontas, ao invés de desenvolverem capacidades de análise e enfrentamento de problemas complexos. Para combater esta visão, Scotchmoor procura mostrar em suas aulas a complexidade do fazer científico, elaborando diagramas com setas percorrendo várias direções, entre as seguintes etapas da pesquisa: exploração e descoberta, teste de idéias, vantagens e resultados, apreciação pela comunidade e retorno para o cientista.

No plano da Epistemologia (área da Filosofia que estuda a construção do conhecimento científico), esta questão educacional remete para uma discussão a respeito da importância das teorias científicas. Uma pessoa que tem conhecimento científico em uma determinada área científica seria, basicamente, alguém que entende bem as teorias fundamentais desta área, e que desenvolveu habilidades para seu uso na solução de problemas reais. Entretanto, não é esta a concepção de conhecimento que predomina no meio educacional.

Com a crescente importância da ciência e tecnologia para as mais diversas profissões, gerando a necessidade de inclusão de uma grande massa de jovens no sistema educacional de base científica, tem ocorrido uma maior ênfase na memorização de soluções padronizadas (“receitas”), em detrimento do entendimento das teorias e desenvolvimento de habilidades para a aplicação das teorias em situações concretas. Aulas e exames são formulados com base em tais receitas, gerando para a sociedade a ilusão de que estamos formando grandes contingentes de cientistas, quando, na verdade, estamos formando técnicos em imitação, pessoas treinadas para repetir procedimentos preestabelecidos.

Não é só em nosso país que tal situação gera preocupações. A Casa Branca americana está desenvolvendo esforços de melhoria do sistema educacional, com apoio direto do Presidente Barack Obama. Em uma conferência no mesmo simpósio acima citado, John Holdren, diretor do “White House Office of Science and Technology Policy”, recomendou expressamente que os projetos pedagógicos “transcendam a ênfase na memorização de fatos”, passando a incluir o desenvolvimento de “habilidades necessárias para resolver problemas complexos, trabalhar em equipe, interpretar e comunicar a informação científica”.

Fonte: Portal da Universidade – UNESP

Escolas matam a criatividade

março 16, 2010 Deixe um comentário

Faço questão de compartilhar com todos vocês o vídeo fascinante do Ken Robinson na TED.

Incrível.

Bixo: “o que eu faço?” – Parte I

março 9, 2010 1 comentário

flickr@infomaua

Esse ano que não sou mais calouro, reparei o quanto os novos ingressantes ficam totalmente perdidos quando chegam à universidade em especial aqueles que não moram na cidade em que irão estudar. Por conta disso, resolvi dedicar o primeiro post desse ano para os novatos, escrevendo algumas dicas que fui coletando e outras que eu achei que seriam bacanas (re)passar.

Muitos colegas e até mesmo professores compartilham a idéia de que se aprende errando, porém nem todo mundo incluindo eu concorda(mos) com isso. Confesso que algumas coisas não tem como transmitir para um ingressante, entretanto alguns caminhos podem ser mostrados afim de evitar tropeços “desnecessários”. Sempre achei o “mini” manual da Andrea sensacional desde quando estava prestando vestibular; apesar dele ser destinado à alunos ingressantes da USP, muitas, mas muitas coisas podem ser aproveitadas, inclusive tomei a liberdade de trazer alguns pontos que considero interessante para cá. 😉

Vamos ao que interessa…

Algumas coisas são de prioridade básica. Em um primeiro momento elas não aparentam ser importantes, portanto a tendência é deixar sempre “para amanhã”. A questão é que realmente quando você está na pior é que você percebe o real sentido da frase: “Não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje”, portanto assim que você chegar na cidade e tiver o primeiro contato com a universidade e colegas de curso, procure pelos telefones úteis, horários/itinerários de ônibus urbanos e intermunicipais e um mapa.

Procure saber o número dos telefones de farmácias que fazem entregas a domicílio, telefones dos hospitais, de imobiliárias, números de taxistas, enfim… aqueles números que na sua cidade você tinha uma facilidade incrível de conseguir. Como eu disse anteriormente, são detalhes que passam despercebidos, mas que se você é surpreendido com dores terríveis no corpo em uma cidade que você não conhece, pode ajudar muito.

Conheça os pontos de ônibus perto de onde você mora; saiba o lugar mais perto para pegar aquele ônibus que o leva para a rodoviária e não deixe para fazer isso no dia que você vai embora para sua cidade. Enfim, faça as coisas com antecedência. 😛

Em se tratando de circular/ônibus providencie o bilhete único se você precisar usar com muita frequência e procure se informar na rodoviária sobre a carteirinha de estudante, já que ela oferece um bom desconto na compra da passagem. Só a título de curiosidade; a empresa não está lhe fazendo nenhum favor, isso é uma obrigação dela e consta na lei.

De todos os problemas que a gente enfrenta no começo a pior é: moradia. Apesar da internet ter facilitado muito a procura por apartamentos na cidade em que você pretende morar, você ainda tem que lidar com a localização do imóvel (enchente, galeria/esgoto, ruas ao redor, violência, iluminação, etc.), imobiliária, compra de móveis e organização deles dentro da sua nova moradia, possibilidades de conexão com a internet.

A decisão não pode ser tomada no impulso, já que na maioria das vezes o contrato é de um ano e para desfazer contrato é realmente uma dor-de-cabeça desnecessária, portanto se você puder após a matrícula já correr atrás das imobiliárias, ver alguns apartamentos, kitnet, ou até mesmo a possibilidade de morar em alguma república, faça isso. Deixe tudo um pouco encaminhado, pois a tensão: cidade nova somada a sem casa é estressante. As vezes, pode acontecer do ingressante ser de lista de espera e isso pode ainda ser mais estressante, para estes minha recomendação é ficar em uma república de veteranos até conseguir arrumar um local que seja do interesse.

Já que estamos falando de veteranos, não tenha vergonha de pedir o telefone deles, afinal algumas vezes eles podem vir a ajudá-lo caso você precise saber de alguma coisa em relação a universidade ou até mesmo a cidade. Também não precisa fazer uma lista e pegar o telefone de todos é apenas de alguem que você acabou conhecendo no dia do “trote”.

Acredito que o básico-principal está aqui; assim que eu tiver um tempo, escrevo a parte 2 que vou tratar sobre pequenas compras, organização para estudos, enfim… esse tipo de coisa doméstica. Hahaha! 🙂

DICAS A SEREM OU NÃO SEGUIDAS…

O que colocarei abaixo é apenas um réplica do “mini” manual da Andrea, portanto fica o interesse (ou não) de ler.

————————-

1. No início do ano, vários tipos de lutas, assembléias e movimentos estudantis aparecem em sua frente. Como todo recém ingressante é empolgado acaba caindo no conto do “discurso bonito gritado”. Não julgarei os movimentos em si. Mas alerto para que mantenha sempre o senso crítico e guarde consigo, num local reservado do cérebro três frases: “os fins justificam os meios?”, “quem é prejudicado com isto” e “o que a maioria gostaria”.

2. Durante o ano, você terá dias em que não ocorrerão matérias, ou horários, as chamadas “janelas”. No primeiro ano, os estudantes costumam usar essas janelas para sair com amigos, beber, dormir em casa, olhar o teto. Tudo bem, mas eu, particularmente, recomendo que a partir do segundo ou terceiro ano no máximo, comece a usar essas janelas para preencher com matérias optativas (matérias fora da sua grade curricular obrigatória, toda graduação tem uma cota de optativas para ser preenchida visando uma formação mais ‘polivalente’). Porque se não preencher essas janelas, ou terá que no último ano passar o dia INTEIRO na universidade e ficar com um fim de semestre cheios de provas e trabalhos ou terá que alongar sua graduação (há quem não tenha problemas com isso). Mas depende de qual é a graduação também.

3. Leia a bibliografia recomendada pela grade de seu professor. Primeiro porque você no final da graduação vai se arrepender muito se não o fizer, segundo, porque se seu professor for ruim (e existirão muitos assim) ao menos dos livros e textos você pode aprender.

4. Faça optativas, o maior número que puder e em outros locais que não apenas a sua faculdade, o contato com outros tipos de mentalidades e discursos pode mudar até mesmo sua concepção de vida. Mas, antes de pegar uma optativa, pergunte para algum aluno do instituto se o professor é bom, não tenha vergonha, melhor um dia de “vergonha” que um semestre acorrentado a um professor picareta.

5. Caso não queira se comprometer com notas e trabalhos, você pode assistir como ouvinte aulas nos mais diversos lugares, basta pedir autorização para o professor em questão: “por favor, tenho interesse na matéria que o senhor ministra, você permitiria que eu assista a sua aula como ouvinte? Não irei atrapalhar?”. Algumas matérias exigem equipamentos de número restrito, bem como algumas salas são muito lotadas, por isso é sempre ideal consultar o professor antes.

8. Se seu instituto tiver uma coisa ridícula chamada “Lista de Chamada”, escreva seu nome, desde o começo em letra de forma, e só o primeiro nome. Porque se eventualmente tiver que faltar seu colega não terá problemas para assinar por você. Eu sei que isso é ensinar “malandres”, mas na verdade é uma concepção muito mais política. Ninguém deveria ser obrigado a ver uma aula picareta se ganha mais estando fora da mesma.

10. Isso também é pessoal, mas…não trabalhe tão cedo no primeiro ano. Porque é neste que você possui mais empolgação para participar de projetos na própria faculdade: tais como organização de eventos, participação de concursos. Aliás, se tiver idéia para essas coisas geralmente a própria faculdade possui recursos reservados para esses tipos de iniciativa. Trabalhe apenas se for uma necessidade imediata. No lugar, procure fazer um curso de línguas. Mesmo que sua área não precise, que você não vá utilizar muito estando na condição de estagiário, eles farão testes de inglês e exigirão o nível no mínimo intermediário até para servir cafezinhos.

11. Use as épocas de greve para ler alguma coisa ou adiantar trabalhos, não fique olhando o teto, porque quando as aulas voltarem o professor vai cobrar aquele trabalho e o prazo para fazer será menor.

12. Fique esperto com ocorrências de greves se planejou uma viagem para janeiro/julho. São os meses que os professores costumam repor. Converse sempre com o professor caso dê esses problemas. Mas não tente falar com eles por e-mails. A maioria não responde.

13. Não crie o costume de estudar para prova ou terminar o trabalho na última semana. O stress acumulado não vale os dias de farra. Ok…está ai um conselho que ninguém vai seguir…

————————-

PS: Se alguém quiser dar idéia de alguma coisa, sinta-se à vontade.

Pensamento do dia: faculdade

agosto 25, 2009 1 comentário
Créditos: Aó Freitas

Créditos: Aó Freitas

Na faculdade é onde temos o maior número de idéias sejam idiotas ou não. Durante o período que passamos na sala-de-aula, biblioteca, cantina, sentado no banco, conversando entre amigos, surgem tantas idéias que conseguiríamos vender qualquer coisa ruim e faríamos um cliente satisfeito.

As piadas ou frases mais sem noção que eu já tive o (des)prazer de escutar veio da boca de meus companheiros de sala. Costumo chamar de piadas de momento: momento de desespero, angústia, diversão, raiva. Para cada momento uma piada diferente. Piadas que possuem um propósito: aliviar a tensão. Não, há outro… tirar onda com a situação e mostrar para os outros que eles estão ferrados tanto quanto você.

É para isso que servem os companheiros, zuar na desgraça… principalmente se ela for sua. A verdade é que não há nada mais engraçado do que rir da própria desgraça ou da desgraça alheia. Não interessa o quanto a desgraça foi ruim e o quanto você sofreu, após um tempo… você irá fazer piada dela. E arrisco a dizer que se bem feita, serão as melhores.

E não adianta, todo bom aluno está sempre atrasado. Ele pode se esforçar ao máximo para acordar mais cedo, mas chegará atrasado; passar noites em claro estudando, mas no dia seguinte o professor dobrará a quantidade de matéria e lá vai ele novamente… estar atrasado.

Como se não bastasse estar atrasados resolvem chegar todos juntos. Basta o professor começar a passar matéria que começa a chegar a galera. Parece que todos andam em fila indiana dentro da faculdade, vai chegando um atrás do outro num intervalo de tempo tão pequeno que fechar a porta é bobeira. Inclusive, proponho aos professores que cheguem 10 minutos mais cedo e comecem a passar algo no quadro, quem sabe, né?

O aprendizado da faculdade vai além do intelectual…

Qual é a reinvidicação mesmo?

Ontem eu estava lendo uma matéria no Catraca Livre sobre uma menina, Giulia Olsson, que revertou US$10 mil para comprar instrumentos de corda para Heliópolis (uma favela).

O dinheiro doado é fruto de um trabalho voluntário da jovem que criou a organização Notes for Hope e com seu grupo lavou carros, vendeu limonadas e fez apresentações musicais gratuitas.

Enquanto pessoas como Giulia Olsson estão fazendo algo para melhorar alguma coisa nesse país, alguns jovens em bancos de universidades estão mais preocupados em fazer algazarra e reinvidicar de uma forma ridícula coisas que não tem o menor cabimento.

Nossas universidades estão formando incompetentes de carteirinha, prontos para questionar a tudo e a todos, mas que não são capazes de fazerem auto-críticas; “O que isso trará de benefício para a comunidade e, consequentemente, para mim?”, “Existem outras formas de reinvidicação?”, “Quais serão as consequências que esse ato irá trazer?”. Apenas perguntas simples…

Mais uma vez fica claro que nós jovens queremos mudar o mundo sem termos a capacidade de arrumar o nosso quarto primeiro. Lamentável. 😦

Universidade: a dura realidade

março 22, 2009 10 comentários

Muitos jovens que estão saindo do Ensino Médio esperam pela Universidade com tamanho entusiasmo que ao alcançar o objetivo, acabam não acreditando que lutaram tanto por algo tão… desanimador. Desculpe, mas essa é a realidade, afinal eu faço parte dos jovens que lutaram para entrar em uma universidade [pública] e que se desanimou com algumas coisas.

Entre [poucas] coisas fantásticas que você vai encontrar como uma biblioteca extraordinária, pessoas com histórias de vida dignas de prêmios e momentos de satisfação pela escolha de seu curso, haverá momentos que você não acreditará que em um ambiente acadêmico como aquele que você batalhou tanto para chegar existe pessoas tão… mesquinhas.

No começo você pensa que o problema é no seu campus (ou universidade), outras vezes chega a cogitar que o problema é com você, mas… depois de alguns e-mails trocados com alguns colegas, descobre que essa “propagação de erros” é unânime. Como diria uma autor brasileiro é uma glamourização da idiotice.

Minha intenção não é fazer boicote contra as universidades [públicas], muito menos “tempestade em copo d’água”, mas alertar os jovens que pretendem entrar com a “sede do saber” que o copo tem a profundidade de um pires, então é melhor ir devagar para não quebrar o nariz. Além é claro de estimular esses jovens (como eu) a mudarem alguma coisa.

Acredito muito que é possível mudar essa mentalidade de “festa, festa, festa, dinheiro no banco não presta” dentro das universidades. E não será o governo nem as empresas privadas que terão que fazer isso [sozinhos]… as pessoas que estão lá dentro e que querem [realmente] alguma coisa PRECISAM fazer algo. Eu, particularmente, acredito muito que a comunidade e as empresas privadas possuem um papel FUNDAMENTAL para a “manutenção” dessas universidades, entretanto elas possuem “muros gigantescos” que as separam da sociedade que as cerca, ficando difícil mudar alguma coisa. Esse muro, ao contrário do Muro de Berlim, não é [apenas] físico, portanto para derrubá-lo será preciso mais do que picaretas.

O pior é que mudanças está sempre associado a greves. 😦 Queremos um ambiente acadêmico melhor, mais sério e que as pessoas dêem valor e então “sabiamente” fazemos todos pararem de trabalhar e saímos gritando e batucando nas ruas. Perfeito! Agora temos o cenário ideal para a mídia fazer uma reportagem e no outro dia a gente sequer ser lembrado. Me impressiona a quantidade de pessoas dentro e fora das universidades que ainda não perceberam que esse auê é fogo de palha e não promove mudanças significativas nem a curto prazo…

O objetivo não é aparecer em jornais televisivos e revistas semanais, mas aumentar a participação da universidade dentro da comunidade e fazer com que as pessoas enxerguem o quanto isso é benéfico. Em países sérios a comunidade está sempre engajada com as universidades e suas pesquisas, pois sabem o que elas representam dentro do contexto global.

Eu sei que o país possui vários “buracos” quando o assunto é educação. Mas se ficarmos apenas enumerando os problemas e não atacarmos nenhum, acho que o “trem” não irá partir. Portanto, em um primeiro estágio penso que a solução seria investir pesadamente nas universidades [públicas] e exigir delas a responsabilidade de trazer a comunidade para dentro dela.

Sei que esse post é um banho de água fria e peço desculpas pela sinceridade; mas não se empolguem tanto com a faculdade, pois o ambiente não é o mais estimulante do mundo (exceto pela sua biblioteca). Não o quanto nós gostaríamos que fosse; você irá encontrar pessoas que se autovangloriam, outras que se acham superiores por estudarem em uma universidade pública a ponto de discriminarem TODOS aqueles que estudam em universidades particulares, aqueles que só se preocupam com notas e aqueles que só pensam em festa.

Não que eu ache festa prejudicial, pelo contrário, acho fundamental que elas existam na universidade, pois são uma forma de integração entre os cursos e são necessárias para criar um ambiente bacana. Sei que existem [muitas] coisas ilícitas nessas festas e não quero entrar no mérito da questão, mas uma coisa é você ter festas aos finais de semana e outra é você ter todos os dias da semana. Uma é algo benéfico, outra… é prejudicial.

O avô da minha mãe contava que antes de conseguir seu primeiro emprego (em uma ferrovia) como maquinista ele precisou ficar observando por uma semana o trabalho da pessoa que ele iria substituir. Durante todo o período de observação ele aprendeu como “entender” o barulho do trilho, o barulho do trem, tudo… mas uma coisa ele não entendia o “martelinho matinal”. Todo dia antes do trem partir era preciso pegar o martelinho de borracha, bater nas rodas de ferro, entrar no trem e ir adiante. Em seu último dia de observação, meu bisavô que continuava sem entender a situação, resolveu perguntar ao senhor o porquê daquele martelinho. Ao perguntar a resposta foi: “Não sei, já era assim quando eu cheguei”.

Diversas pessoas muitas vezes questionam o porquê de muitas coisas que fazem, mas deixam morrer esse questionamento na praia e seguem adiante mesmo que aquilo que estejam fazendo seja um absurdo. As pessoas aqui no Brasil (não conheço outros lugares para falar) possuem pouco poder de transformação e parecem acreditar pouco em seus questionamentos.

Por isso, fiquem empolgados apenas com UMA coisa: “vocês” podem TRANSFORMAR. E esse é o papel da universidade. 😉

Mudança: vida solitaria e universitaria

março 16, 2009 Deixe um comentário

Peço desculpas por ter demorado tanto para postar a continuação do post passado é que passei por alguns problemas com a conexão, na verdade eu não tinha como conectar. Aproveitando… para alguém que está com saudades da namorada como eu, que não gosta de festas e que prefere ficar em casa, vários livros ainda não são suficientes para cumprir o papel da internet. Juro que no final desses últimos dias eu já não tinha mais o que arrumar dentro do meu apartamento. Hahaha! 😀

Bom, eu fiquei de relatar nesse segundo post como é a vida de um estudante recém chegado a universidade e numa cidade nova. Vou me limitar a falar somente da primeira semana já que as outras (acredito eu) sejam irrelevantes.

Como todo período de volta das férias o mais complicado nos primeiros dias é readaptar seu organismo para a [nova] rotina já que estávamos acostumados acordar 8 da manhã (no mínimo) e agora é preciso acordar pelo menos as 7h para não ficar naquela correria antes de ir para a aula (ou trabalho).

No primeiro dia eu não consegui acordar no horário que estipulei (6:30h) pois como fiquei acordando durante a madrugada (acho que por causa da ansiedade) quando o relógio despertou parecia que meus olhos estavam pregados, não abriam de jeito nenhum.

Levantei era 7:10h da manhã e como as aulas começavam as 8:00h foi possível tomar um café tranquilo e sem muita pressa. Quando eu estava descendo as escadas, trombei com um veterano de outro curso que me perguntou o que eu estava fazendo com a mochila nas costas. Expliquei para ele que carregava minhas coisas dentro dela para ficar mais fácil; foi quando ele me aconselhou deixar tudo em casa e levar só a chave-de-casa, pois eu iria receber trote.

Não deu outra; entrando na escola — e depois de achado o bloco do meu curso — os veteranos já avisaram que teríamos que fazer “pedágio” (arrecadação de dinheiro nos semáforos para a festa dos calouros). Lógico que eles não forçaram, nem fizeram nada que ultrapassasse o bom-senso, inclusive perguntaram quem gostaria de participar. Como eu senti que não iriam fazer nada muito chato, resolvi ir para conhecer a minha turma e alguns veteranos.

(Tirando o fato de não ter almoçado e ainda não ter recuperado a camiseta que eu estava usando naquele dia, correu tudo bem.)

Lógico que antes de ir para essa “zuação”, tivemos um papinho com o coordenador do curso de Física, Alberto Ibañez Ruiz, que disse coisas ao meu ver MUITO verdadeiras.

Confesso que fiquei muito animado com o coordenador e com alguns professores que já tive a oportunidade de conversar, fiquei feliz por eles parecerem prestativos. Mas tenho minhas dúvidas quanto a isso; não que eu esteja duvidando da integridade dos professores, apenas que prefiro aguardar para ter certeza que eles não estavam apenas “polindo” a realidade. 😉 Assim, se não for do jeito que eu esperava, não fico desanimado e nem chateado com a situação.

Fica complicado eu fazer uma “geral” sobre os professores, já que essa semana tivemos apenas uma introdução de Cálculo I e de Laboratório de Física I. Tanto o Marco Escher de cálculo quanto o Ervino Ziemath me pareceram bons professores.

Acho que da universidade [no geral] ainda não posso falar muito, pois quase não tive aulas e sequer conheci todos os professores. Algumas coisas que vi eu não esperava encontrar em um ambiente que se deduz (de maneira erronea) que estejam “pessoas pensantes”. Algumas atitudes, discursos, justificativas, etc. me entristeceram bastante, mas isso são coisas para posts futuros (eu espero conseguir escrever tudo que tenho em mente escrever).

Nomais, o que está me “matando” por aqui é a saudade. Para mim é a coisa mais complicada de lidar; todas as outras eu consigo me virar numa boa. É aquele lance… eu não gosto da cidade que eu morava, mas as pessoas que estão lá eu amo. Como eu já disse no outro post: “…é distribuir tristeza em meio a tanta felicidade.” Mas tem que ir levando…

Acho que a maior experiência até agora para mim foi: cozinhar! Como eu já tinha assistido alguns vídeos no youtube de culinária (é.. fazer o que… tem que aprender) meu arroz e algumas coisas que fiz por aqui ficaram ótimos para o meu paladar. 🙂 Ficaram tão boas que decidi voltar para casa (é perto…) e almoçar em casa ao invés do bandeijão, assim economizo e como uma comida melhor.

Bom, espero que isso “sirva de estímulo” (se preparem para o banho de água fria dos posts futuros) para aqueles alunos que não veem a hora de ir para a Universidade. Nomais, se algum aluno de terceiro ano (ou mais novo) quiser tirar alguma dúvida em específico sobre ‘morar sozinho’ ou sobre a ‘universidade’, me mande um e-mail ou coloque um comentário perguntando aqui mesmo, será um prazer ajudar. 😉