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Posts Tagged ‘romantismo’

No profundo ‘spleen’

setembro 11, 2009 1 comentário

Como podem ver estou afastado do blog. Peço desculpas para aqueles que sempre se dão ao trabalho de vir aqui para ler alguma coisa nova; estou passando por alguns problemas e estudando muito. O tempo que me sobra tenho dedicado a mim e a minha saúde e os textos e poesias que escrevo, são apenas relatos pessoais que não precisam ser mencionados aqui. Quem sabe algum dia os transformarei em artigos.

Essa semana apesar de curta me pareceu muito longa. O feriado foi rápido, parece que não aproveitei e ele está entre os mais tristes para mim. Infelizmente.

Para não deixar o blog sem novos posts, preencherei com duas músicas: Yann Tiersen – Summer 78 e Belle and Sebastian – This Is Just A Modern Rock Song.

Perdoem meu estado spleen da geração byroniana do romantismo. 😉

“Meus oito anos” de Casimiro de Abreu

junho 28, 2009 2 comentários

Este poema do Casimiro de Abreu, poeta brasileiro da segunda geração romântica, traz consigo de uma forma simples, espontânea e ingênua, os “meus oito anos” (e de muita gente) de uma forma tão maravilhosa e nostálgica que declamar esse poema na frente de um espelho é “ganhar” o dia.

Oh! que saudades que tenho
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Depois de lido e “declamado” a você, veja a declamação de Paulo Autran, um ator brasileiro de teatro, cinema e televisão que foi genial.