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Excessiva simplificação do Método Científico no Ensino de Ciências

março 20, 2011 Deixe um comentário

Um artigo da autoria de Anna Kuchment, reportando um simpósio sobre educação científica ocorrido no congresso anual da American Association for the Advancement of Science foi recentemente publicado na revista Scientific American.

Mark Stefanski, professor do ensino médio americano, em apresentação no painel “Aiming for Scientific Literacy by Teaching the Process, Nature and Limits of Science”, apontou no sentido da existência de uma estratégia pedagógica de ensino de ciências, utilizada desde o ensino médio, que descaracterizaria tanto a concepção do método quanto da natureza do conhecimento científico. Em outra apresentação no painel, Judy Scotchmoor, da Universidade da Califórnia, argumentou que tal estratégia induziria a formação uma imagem simplificada do conhecimento científico, o que, ao final do processo educacional, acarretaria no desinteresse pela ciência da parte dos jovens.

Em sintonia com esta observação, podemos notar que também na educação científica brasileira, ao invés de enfocar a complexidade de problemas devidamente contextualizados, os livros-texto e a pedagogia utilizada nas escolas privilegiam a abordagem de questões estereotipadas, para as quais haveria uma única solução considerada correta. São estas as questões frequentemente apresentadas nas provas, por meio das quais se avalia a aprendizagem. Ao longo do processo de formação, tais procedimentos favoreceriam uma visão distorcida da dinâmica do conhecimento, levando os alunos a concentrarem seus esforços na memorização de receitas prontas, ao invés de desenvolverem capacidades de análise e enfrentamento de problemas complexos. Para combater esta visão, Scotchmoor procura mostrar em suas aulas a complexidade do fazer científico, elaborando diagramas com setas percorrendo várias direções, entre as seguintes etapas da pesquisa: exploração e descoberta, teste de idéias, vantagens e resultados, apreciação pela comunidade e retorno para o cientista.

No plano da Epistemologia (área da Filosofia que estuda a construção do conhecimento científico), esta questão educacional remete para uma discussão a respeito da importância das teorias científicas. Uma pessoa que tem conhecimento científico em uma determinada área científica seria, basicamente, alguém que entende bem as teorias fundamentais desta área, e que desenvolveu habilidades para seu uso na solução de problemas reais. Entretanto, não é esta a concepção de conhecimento que predomina no meio educacional.

Com a crescente importância da ciência e tecnologia para as mais diversas profissões, gerando a necessidade de inclusão de uma grande massa de jovens no sistema educacional de base científica, tem ocorrido uma maior ênfase na memorização de soluções padronizadas (“receitas”), em detrimento do entendimento das teorias e desenvolvimento de habilidades para a aplicação das teorias em situações concretas. Aulas e exames são formulados com base em tais receitas, gerando para a sociedade a ilusão de que estamos formando grandes contingentes de cientistas, quando, na verdade, estamos formando técnicos em imitação, pessoas treinadas para repetir procedimentos preestabelecidos.

Não é só em nosso país que tal situação gera preocupações. A Casa Branca americana está desenvolvendo esforços de melhoria do sistema educacional, com apoio direto do Presidente Barack Obama. Em uma conferência no mesmo simpósio acima citado, John Holdren, diretor do “White House Office of Science and Technology Policy”, recomendou expressamente que os projetos pedagógicos “transcendam a ênfase na memorização de fatos”, passando a incluir o desenvolvimento de “habilidades necessárias para resolver problemas complexos, trabalhar em equipe, interpretar e comunicar a informação científica”.

Fonte: Portal da Universidade – UNESP

Escolas matam a criatividade

março 16, 2010 Deixe um comentário

Faço questão de compartilhar com todos vocês o vídeo fascinante do Ken Robinson na TED.

Incrível.

1º de Abril: dia da mentira

A educação, saúde e transporte nesse país são dignos para representar em um futuro (espero que não muito distante) em como éramos feito de palhaços a todo momento em tamanha incapacidade em lidar com assuntos tão sérios.

Parece que o nosso 1º de Abril se tornou algo rotineiro, principalmente ao ler as manchetes dos principais jornais do país. Lamentável.

O que falta no Ensino Medio?

Me deparo na internet com várias discussões sobre o ensino brasileiro. Algumas muito interessantes, outras, nem tanto. Todavia, encontrar relatos de jovens que estão no Ensino Médio, ou que tenham terminado é preciso procurar MUITO.

Como terminei o EM ha pouco tempo, achei interessante colocar uma análise do que vi, assim quem sabe, estimula outros jovens a escreverem sobre suas frustrações e satisfações com o ensino brasileiro.

Eu já disse em alguns posts por aqui que nossas escolas não apresentam a realidade como ela é.

Uma das coisas que eu não entendo é de onde tiraram essa idéia de que estudar é fácil; estudar requer [muito] esforço e somente a longo prazo se obtem um resultado satisfatório. Também nunca entendi de onde [os alunos] tiraram a idéia de que a área de Humanas não precisa ter conhecimento de Exatas (ou vice-versa).

Isto está errado. O nosso Ensino Médio tem como base fornecer *CONHECIMENTOS*GERAIS*, concordo que há MUITOS erros em nosso ensino, entretanto se essa “base” fosse trabalhada de forma séria (com competência) teríamos alunos com uma visão [de mundo] um pouco mais abrangente.

Passei grande parte do meu terceiro ano me perguntando: Por quê os alunos média-alta [da sala] são sacrificados, já que eles poderiam ter um rendimento maior se os professores elevassem o nível da aula (com demonstrações, exercicios difíceis, etc.)?

Até hoje não entendi muito bem isso. Prejudicamos uma minoria que quer, para priorizar uma maioria que não quer nada?

Não quero (e nem pretendo) defender a existência de “turmas exclusivas”, afinal não existem salas disponíveis (com carteiras, lousa, giz, etc.) e nem mesmo professores para [todas] essas turmas.

Entretanto, não é justo — com aqueles (poucos) que querem aprender — que somente para se ter uma sala mais homogênea tenha que diminuir o “nível” das aulas.

Eu sempre me faço a pergunta: Por quê quando se tem duas escolhas para se colocar em prática, se opta pela menos trabalhosa (mais cômoda) e a outra idéia mais DURA (severa, real) é SEMPRE descartada?

As aulas devem ter um nível alto e as provas devem ser difíceis. Os alunos desde cedo precisam saber que haverá pedras no caminho e que nem sempre a escola e nem seus pais irão poder removê-las. O papel fundamental da escola é fornecer aos alunos “ferramentas” para que possam abrir o seu [próprio] caminho.

Durante o Ensino Médio, tive que ouvir alguns questionamentos do tipo: “Onde vou usar isso na minha profissão?”

Por quê as matérias que são abordadas no Ensino Médio precisam ter uma utilidade prática em nosso cotidiano? Os alunos PRECISAM ter conhecimento de TODAS as áreas (Exatas, Humanas e Biológicas). O que é cobrado no Ensino Médio é o mínimo necessário.

Só a título de exemplificação: eu não sou bom em Biologia, mas eu aprendi o BÁSICO e o suficiente para em uma discussão não ficar ‘boiando’, ou ao ler (ou assistir) um jornal, entender o que está sendo transmitido. E algumas vezes vezes relacionar sintomas a determinadas doenças e até me prevenir contra outras. Ou até mesmo para saber quando alguém está tentando me enganar…

Esse conhecimento é INFAME perto da Biologia, entretanto é um conhecimento que eu não teria se não tivesse sentado e estudado um pouquinho.

Fico imaginando se houvesse essa separação logo no Ensino Médio. Teríamos advogados que não saberiam o que são equações quadráticas; Físicos que falariam que bactérias causam gripe; e Biólogos que não saberiam o que foi a Guerra Fria e o quê ela significou.

Eu não me canso em dizer que o que falta em nossas escolas é disciplina e responsabilidade.

Abraços.