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Poesia #13: Amor de Carlos Drummond

dezembro 24, 2010 4 comentários

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.

Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado… se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados…

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite… se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado…

Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela… se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

Carlos Drummond de Andrade

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Por quê caímos?

abril 10, 2010 1 comentário

Lá por volta do aniverário de seu primeiro ano de vida, a gente percebe que nossos filhos vão começar a andar. Mas eles só caem. Seguram nossas mãos, erguem os joelhos, dobram-nos e caem. Depois seguramos seus joelhinhos com seus pés em nosso colo, eles riem, se atiram para trás e caem. Aí aprendem a se segurar em qualquer canto de qualquer móvel ou pedaço de calça que lhes apareça pela frente; esticam-se, erguem-se, ficam em pé e – pluft! -, caem. Felizmente, usam fraldas. Felizmente, caem de bumbum e não caem de cabeça porque a natureza, se não nos entrega a bula, sabe o que faz.

Aí, do nada, como quem decide se levantar do sofá para ir tomar uma água na cozinha, estes bebês saem andando – assim, deixando-nos embasbacados, sem sabermos se gritamos, se os seguramos, se ficamos por perto para garantir que não caiam ou se corremos pegar a câmera. Eles começam a andar. E então… não param mais.

Andam para todos os lados, se movimentam frenéticamente, mais agitados do que o normal e deixando ainda mais louco seus pais.

O tempo passa e com o caminhar da vida percebemos que aquela foi apenas a primeira queda de muitas. Voltamos a ser crianças diante cada problema novo e caímos. Quando achamos que temos tudo sobre controle somos surpreendidos por outra queda. Ficamos tristes. E então aquele riso de criança quando está começando a andar não existe mais em nosso rosto. Associamos a queda ao fracasso. Lamentamos. Sofremos.

E aí nos perguntamos porque caímos. Questionamos a vida, os problemas, os relacionamenos, as situações, nós, procuramos justificativas plausíveis, mas não encontramos. E conforme os dias se passam e permanecemos mais fortes, descobrimos que cair é necessário para o aprendizado. Que caímos para aprendermos a levantar.

Na vida nada é tão triste que não se possa tirar uma lição. Das situações mais tristes é que talvez tiramos nosso maior aprendizado. Descobrimos com o passar do tempo que experiência não é quantas festas de aniversário se teve, mas a quantidade de quedas que você sofreu. Que “experiência é quando você passa a saber o que você achava que já sabia.”

Inspiração: Você prefere cair ou levantar?

Alegria e tirar sorriso de lagrimas

março 24, 2010 1 comentário

Paulo sempre soube o que queria; determinado, seco e até rude se precisasse, mas tinha um coração mole. Algumas vezes era reconhecido por coisas maravilhosas que fazia, mas era um rapaz quieto que passava despercebido diante as pessoas. Era alguém normal.

Ao longo de sua vida, Paulo foi vivenciando momentos que o fizeram ser mais forte e compreender os motivos para se viver. Paulo perdeu seus pais cedo, acidente de carro, nunca gostou de comentar sobre, mas sempre teve uma margura do ocorrido. Procurava compreender a razão mesmo sabendo que na verdade o acaso é quem determinara alguns passos em sua vida; apesar do sentimento de raiva guardado, preferia ser alegre.

Todos os dias quando acordava colocava em sua cabeça que aquele dia seria excepcional. Paulo sabia que era difícil ter um dia repleto de alegria, mas ele sabia aproveitar os momentos felizes que ocorriam ao longo do dia mesmo se eles fossem passageiros. Ele não fechava sua alma para a alegria só porque algum evento tinha incomodado e o deixado triste; a esperança em trocar a tristeza pela alegria sempre foi algo frequente em Paulo.

Talvez pelo seu sofrimento. Talvez uma característica. Nós não sabemos, Paulo, com seus olhos escuros dizia pouco sobre si, era um mistério, mas passava uma boa mensagem em seus olhos; de alegria, curtição e compreensão.

Achava interessante o que as pessoas tinham para lhe dizer. Se concentrava nas palavras. Os problemas delas eram seus, fazia questão de ouvi-los, somente ouvir, sem palpitar, ele sabia muito bem que quando estamos tristes e desiludidos o que queremos não é solução, mas ser ouvido, chorar e até mesmo ‘viver’ aquela dor momentânea.

Paulo sabia o que era sofrer. Ele sabia que sofrer era necessário, mas também sabia que o aprendizado não vem apenas do sofrimento. Acreditava muito que a alegria era talvez o único dos nossos objetivos na vida, todo o resto era apenas um complemento para tornar essa busca mais interessante. Ser alegre era a única coisa que importava.

Se era dançando, patinando, ensinando, viajando, cozinhando, limpando, qualquer que fosse a ação se buscassemos a alegria estariamos servindo bem nossos corações. Paulo era normal, mas profundo; sabia o que as pessoas sentiam e o que elas deveriam procurar para si.

Existem diversos Paulo’s, cada um com características próprias e dignas de textos. Todos nós temos algo a aprender e a ensinar. Paulo sabia que a sabedoria não estava somente nos livros, estava também na capacidade de ouvir e compreender o outro.

Navarro, M.

“Borboletas” de Mario Quintana

junho 24, 2009 13 comentários

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.

Temos que nos bastar… nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.

O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

“A Arte de Amar” de Manuel Bandeira

abril 8, 2009 2 comentários

“Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.”

Já escrevi aqui sobre um pouco de Manuel Bandeira esse nosso magnífico escritor que poucos valorizam. Enfim, como estou sem tempo e estou saindo de viagem, estou escrevendo esse maravilhoso poema dele, assim não fico muito tempo sem atualizar esse blog.

Assim que eu chegar escreverei sobre mais alguns assuntos.

Abraços e bom feriado a todos.