Archive

Posts Tagged ‘amar’

Poesia #9: Amar de Carlos Drummond

novembro 7, 2010 Deixe um comentário

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer?
amar e mal amar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar
também, e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa
marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto. o que é entrega ou adoração expectante, e
amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor, um chão sem ferro, e o peito inerte, e a rua
vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura
medrosa, paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo
tácito, e a sede infinita.

 

E claro, jamais esqueceria de colocar aqui a declamação de Paulo Autran que faz dos poemas de Carlos Drummond um poço de emoções recentes e futuras. Apreciem…

Surpreenda-se; apenas viva

As vezes nos sentimos solitários, mesmo cercado de dezenas de pessoas. As vezes acordamos e a única vontade que temos é de desligar o despertador e voltar a dormir, mas as regras de conduta nos chamam e levatamos para cumprir com nossas obrigações. Seguimos adiante com uma rotina e a excitação frequente em todos parece não nos tocar e os momentos de riso, parecem não ter o mesmo valor.

“As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.”

Na volta para casa, observamos casais e contamos nossos passos, sabemos quantos são necessários. E então dormimos para que no dia seguinte a rotina recomece.

Os dias se passam e de repente um simples olhar para o lado faz você se reencontrar e ter a sensação de que está “vivo” novamente. Em apenas um simples gesto de sorrir, você é capaz de encontrar tudo aquilo que procura: a vontade de amar. A sensação é de que os dias valem a pena e merecem ser vividos como se fossem o último.

A vida deixa de ser cinza passando a ser colorida. E os momentos deixam de ser ‘mais um’ e passam a ser ÚNICOS e INESQUECÍVEIS. E por um instante, toda aquela monotonia se vai…

Parece que tudo passou tão depressa que você não teve tempo de mostrar o quanto ama aquela pessoa que sorriu para você naquele momento. Quantas vezes na vida não deixamos para dizer a alguém o quanto a amamos e as vezes não temos mais outra chance?

Não há momento apropriado para dizer algo. O momento certo é o “surpreendente”.

”Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer.”

Quantas vezes não deixamos de fazer alguma coisa incrível? Quantas vezes não deixamos para “amanhã”? O melhor da vida é o agora. Dê uma chance a você mesmo… surpreenda.

“A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.”

P.S.: Trechos de Clarice Lispector