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“Meus oito anos” de Casimiro de Abreu

Este poema do Casimiro de Abreu, poeta brasileiro da segunda geração romântica, traz consigo de uma forma simples, espontânea e ingênua, os “meus oito anos” (e de muita gente) de uma forma tão maravilhosa e nostálgica que declamar esse poema na frente de um espelho é “ganhar” o dia.

Oh! que saudades que tenho
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Depois de lido e “declamado” a você, veja a declamação de Paulo Autran, um ator brasileiro de teatro, cinema e televisão que foi genial.

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  1. junho 28, 2009 às 11:42 pm

    Mateus, parabéns pelos seus ótimos posts, como sempre.
    Esse poema é ótimo.
    Compensa a ‘tristeza’ de termos deixado os nossos oito anos.
    Abraços.

  2. julho 4, 2009 às 11:46 am

    Dri, eu quem agradeço a sua visita e seu elogio.

    Eu não sou um grande admirador da poesia romântica, principalmente a ufanista, confesso que alguns poemas chegam até me “irritar”, porém… alguns são lindos de se ler e pensar, mesmo que sejam utópicos.

    Nomais, Casimiro de Abreu foi genial em colocar os nossos oito anos de uma maneira tão única e especial. Ficou muito bonito! E como um admirador do Paulo Autran, sua declamação foi fantástica…

    Novamente, agradeço a visita e a leitura dos meus textos.

    Abraços.

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