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Archive for junho \28\UTC 2009

“Meus oito anos” de Casimiro de Abreu

junho 28, 2009 2 comentários

Este poema do Casimiro de Abreu, poeta brasileiro da segunda geração romântica, traz consigo de uma forma simples, espontânea e ingênua, os “meus oito anos” (e de muita gente) de uma forma tão maravilhosa e nostálgica que declamar esse poema na frente de um espelho é “ganhar” o dia.

Oh! que saudades que tenho
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Depois de lido e “declamado” a você, veja a declamação de Paulo Autran, um ator brasileiro de teatro, cinema e televisão que foi genial.

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Qual é a reinvidicação mesmo?

Ontem eu estava lendo uma matéria no Catraca Livre sobre uma menina, Giulia Olsson, que revertou US$10 mil para comprar instrumentos de corda para Heliópolis (uma favela).

O dinheiro doado é fruto de um trabalho voluntário da jovem que criou a organização Notes for Hope e com seu grupo lavou carros, vendeu limonadas e fez apresentações musicais gratuitas.

Enquanto pessoas como Giulia Olsson estão fazendo algo para melhorar alguma coisa nesse país, alguns jovens em bancos de universidades estão mais preocupados em fazer algazarra e reinvidicar de uma forma ridícula coisas que não tem o menor cabimento.

Nossas universidades estão formando incompetentes de carteirinha, prontos para questionar a tudo e a todos, mas que não são capazes de fazerem auto-críticas; “O que isso trará de benefício para a comunidade e, consequentemente, para mim?”, “Existem outras formas de reinvidicação?”, “Quais serão as consequências que esse ato irá trazer?”. Apenas perguntas simples…

Mais uma vez fica claro que nós jovens queremos mudar o mundo sem termos a capacidade de arrumar o nosso quarto primeiro. Lamentável. 😦

“Borboletas” de Mario Quintana

junho 24, 2009 13 comentários

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.

Temos que nos bastar… nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.

O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

Doença: a voz da incapacidade

Essa semana estou muito debilitado tanto para escrever quanto para estudar. Passei (acredito eu) por uma intoxicação alimentar por causa de um salgado que comi na faculdade e isso abaixou minha resistência fazendo eu pegar uma gripe deveras forte. Enfim, estou praticamente de cama desde terça-feira, utilizando a única força que resta para frequentar as aulas e pelo menos forçar meu cérebro para ele não ficar parado “atrofiando”.

O meu objetivo com esse relato pessoal é mostrar o quanto nós somos fracos diante de uma doença, seja ela qual for. A questão é que quando estamos bem de saúde, as vezes simplesmente esquecemos de aproveitar, curtir, se divertir, preferimos ficar tristes e chorar à rir sem parar.

É uma pena isso, pelo menos para mim não há algo melhor do que o sorriso, inclusive isso explica eu não gostar de qualquer doença, pois ela retira a capacidade de qualquer um sorrir.

Eu separo tudo isso em dois ambientes, inclusive um muito peculiar. A doença me lembra um hospital, lugar tão triste, cinzento, solitário, sem nenhum riso… apenas correria e em alguns casos, gritaria. Já a saúde me lembra um parque de diversões, pessoas rindo, felicidade, crianças, espontaneadade, nostalgia, um “mundo” colorido.

Sorrir HOJE é um bom “remédio”; amanhã é tarde. Apenas um “pensamento” aleatório de alguém que está sem nada para fazer em uma noite de sexta-feira…

Resolução do Moyses (questão 12 Cap. 2)

Continuando com a idéia proposta no último post, vou deixar mais uma questão interessatíssima resolvida pelo Brain na comunidade.

—x—x—

Um método possível para medir a aceleração da gravidade g consiste em lançar uma bolinha para cima num tubo onde se fez vácuo e medir com precisão os instantes [;\ t_1 ;] e [;\ t_2 ;] de passagem (na subida e na descida, respectivamente) por uma altura z conhecida, a partir do instante do lançamento. Mostre que:

[;\ g = \frac{2z}{t_1t_2} ;]

Solução:

A equação que descreve a altura em função do tempo em um lançamento de uma partícula é dado pela seguinte relação:

[;\ h(t) = v_0 t – \frac{gt^2}{2} ;]

Onde [\; v_0 ;] é a velocidade inicial de lançamento. Repare que a função acima é uma equação do segundo grau (parábola), e o enunciado nos diz que para os tempos [;\ t_1 ;] e [;\ t_2 ;] a partícula se encontra na mesma altura H, dessa maneira temos a seguinte equação

[;\ \frac{gt^2}{2} – v_0 t + H = 0 ;]

A solução desta equação são os tempos [;\ t_1 ;] e [;\ t_2 ;], fazendo uso da segunda relação de Girard para equações do segundo grau, temos que:

[;\ t_1t_2 = \frac{v_0}{g/2} \Rightarrow g = \frac{2z}{t_1t_2} ;]

Resolução do Moyses (questão 5)

junho 8, 2009 1 comentário

Está rolando um tópico na comunidade Física e Matemática do Orkut que são nada mais nada menos do que as soluções do Moyses Nussenzveig.

Acho o livro fantástico e justamente por isso, toda vez que resolverem um exercício que [na minha opinião] acho fascinante, farei questão de copiar aqui para o meu blog.

Nomais, recomendo fortemente que os usuários leiam o artigo que publiquei anteriormente falando sobre o Greasemonkey e o Tex the World.

—x—x—

Um garoto quer atirar um pedregulho de massa igual a 50g num passarinho pousado num galho 5m a sua frente e 2m acima de seu braço. Para isso, utiliza um estilingue em cada elástico se estica 1cm para uma força aplicada de 1N. O garoto aponta numa direção a 30° da horizontal. De que distância deve puxar os elásticos para acertar no passarinho?

Resolução:

Seja m a massa da pedra, L a distância entre o menino e a árvore, H a altura do galho, θ o ângulo de mira e k o coeficiente de elasticidade de um único elástico do estilingue, dado por k = F/x = 1/0,01 = 100 N/m.

Como a força elástica é conservativa, temos pela lei de conservação da energia mecânica que:

[;\ \frac{k_0{x^2}_0}{2} = \frac{m{v^2}_0}{2};]

onde [;\ v_{0} ;] é a velocidade com que a pedra sai do estilingue, [;\ x_{0} ;] é a elongação do mesmo e [;\ k_{0} ;] = 2k (associação de molas em paralelo). Rearranjando a equação anterior, temos:

[;\ {v^2}_0 = \frac{2k{x^2}_0}{m} ;] [1]

A trajetória do lançamento oblíquo de uma partícula é descrita pela função:

[;\ y(x) = x\tan{\theta} - \frac{g{x}^2}{2{v_0}^2{\cos}^2\theta} ;] [2]

Igualando [1] e [2], teremos:

[;\ \frac{2k{x_0}^2}{m} = \frac{g{x^2}}{2(x\tan{\theta} - y){{\cos}^2\theta}} ;]

Em particular para atingirmos o passarinho devemos ter x = L e y = H . Logo:

[;\ \fbox{|x_0| = \sqrt{\frac{mg{L}^2}{4k(L\tan{\theta} - H){\cos}^2\theta}}} ;]

Por fim, substituindo os valores iniciais:

[;\ \fbox{x_0 \approx 21,5cm} ;]

P.S.: Eu não sou o responsável pela resolução, sou um mero reprodutor de conhecimento. Quem resolveu essa questão foi o Pierre Nazé um participante da comunidade. A questão (de número 5) pode ser encontrada na página 123 do Volume I (Mecânica). 😉

Surpreenda-se; apenas viva

As vezes nos sentimos solitários, mesmo cercado de dezenas de pessoas. As vezes acordamos e a única vontade que temos é de desligar o despertador e voltar a dormir, mas as regras de conduta nos chamam e levatamos para cumprir com nossas obrigações. Seguimos adiante com uma rotina e a excitação frequente em todos parece não nos tocar e os momentos de riso, parecem não ter o mesmo valor.

“As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.”

Na volta para casa, observamos casais e contamos nossos passos, sabemos quantos são necessários. E então dormimos para que no dia seguinte a rotina recomece.

Os dias se passam e de repente um simples olhar para o lado faz você se reencontrar e ter a sensação de que está “vivo” novamente. Em apenas um simples gesto de sorrir, você é capaz de encontrar tudo aquilo que procura: a vontade de amar. A sensação é de que os dias valem a pena e merecem ser vividos como se fossem o último.

A vida deixa de ser cinza passando a ser colorida. E os momentos deixam de ser ‘mais um’ e passam a ser ÚNICOS e INESQUECÍVEIS. E por um instante, toda aquela monotonia se vai…

Parece que tudo passou tão depressa que você não teve tempo de mostrar o quanto ama aquela pessoa que sorriu para você naquele momento. Quantas vezes na vida não deixamos para dizer a alguém o quanto a amamos e as vezes não temos mais outra chance?

Não há momento apropriado para dizer algo. O momento certo é o “surpreendente”.

”Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer.”

Quantas vezes não deixamos de fazer alguma coisa incrível? Quantas vezes não deixamos para “amanhã”? O melhor da vida é o agora. Dê uma chance a você mesmo… surpreenda.

“A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.”

P.S.: Trechos de Clarice Lispector