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Universidade: a dura realidade

Muitos jovens que estão saindo do Ensino Médio esperam pela Universidade com tamanho entusiasmo que ao alcançar o objetivo, acabam não acreditando que lutaram tanto por algo tão… desanimador. Desculpe, mas essa é a realidade, afinal eu faço parte dos jovens que lutaram para entrar em uma universidade [pública] e que se desanimou com algumas coisas.

Entre [poucas] coisas fantásticas que você vai encontrar como uma biblioteca extraordinária, pessoas com histórias de vida dignas de prêmios e momentos de satisfação pela escolha de seu curso, haverá momentos que você não acreditará que em um ambiente acadêmico como aquele que você batalhou tanto para chegar existe pessoas tão… mesquinhas.

No começo você pensa que o problema é no seu campus (ou universidade), outras vezes chega a cogitar que o problema é com você, mas… depois de alguns e-mails trocados com alguns colegas, descobre que essa “propagação de erros” é unânime. Como diria uma autor brasileiro é uma glamourização da idiotice.

Minha intenção não é fazer boicote contra as universidades [públicas], muito menos “tempestade em copo d’água”, mas alertar os jovens que pretendem entrar com a “sede do saber” que o copo tem a profundidade de um pires, então é melhor ir devagar para não quebrar o nariz. Além é claro de estimular esses jovens (como eu) a mudarem alguma coisa.

Acredito muito que é possível mudar essa mentalidade de “festa, festa, festa, dinheiro no banco não presta” dentro das universidades. E não será o governo nem as empresas privadas que terão que fazer isso [sozinhos]… as pessoas que estão lá dentro e que querem [realmente] alguma coisa PRECISAM fazer algo. Eu, particularmente, acredito muito que a comunidade e as empresas privadas possuem um papel FUNDAMENTAL para a “manutenção” dessas universidades, entretanto elas possuem “muros gigantescos” que as separam da sociedade que as cerca, ficando difícil mudar alguma coisa. Esse muro, ao contrário do Muro de Berlim, não é [apenas] físico, portanto para derrubá-lo será preciso mais do que picaretas.

O pior é que mudanças está sempre associado a greves. 😦 Queremos um ambiente acadêmico melhor, mais sério e que as pessoas dêem valor e então “sabiamente” fazemos todos pararem de trabalhar e saímos gritando e batucando nas ruas. Perfeito! Agora temos o cenário ideal para a mídia fazer uma reportagem e no outro dia a gente sequer ser lembrado. Me impressiona a quantidade de pessoas dentro e fora das universidades que ainda não perceberam que esse auê é fogo de palha e não promove mudanças significativas nem a curto prazo…

O objetivo não é aparecer em jornais televisivos e revistas semanais, mas aumentar a participação da universidade dentro da comunidade e fazer com que as pessoas enxerguem o quanto isso é benéfico. Em países sérios a comunidade está sempre engajada com as universidades e suas pesquisas, pois sabem o que elas representam dentro do contexto global.

Eu sei que o país possui vários “buracos” quando o assunto é educação. Mas se ficarmos apenas enumerando os problemas e não atacarmos nenhum, acho que o “trem” não irá partir. Portanto, em um primeiro estágio penso que a solução seria investir pesadamente nas universidades [públicas] e exigir delas a responsabilidade de trazer a comunidade para dentro dela.

Sei que esse post é um banho de água fria e peço desculpas pela sinceridade; mas não se empolguem tanto com a faculdade, pois o ambiente não é o mais estimulante do mundo (exceto pela sua biblioteca). Não o quanto nós gostaríamos que fosse; você irá encontrar pessoas que se autovangloriam, outras que se acham superiores por estudarem em uma universidade pública a ponto de discriminarem TODOS aqueles que estudam em universidades particulares, aqueles que só se preocupam com notas e aqueles que só pensam em festa.

Não que eu ache festa prejudicial, pelo contrário, acho fundamental que elas existam na universidade, pois são uma forma de integração entre os cursos e são necessárias para criar um ambiente bacana. Sei que existem [muitas] coisas ilícitas nessas festas e não quero entrar no mérito da questão, mas uma coisa é você ter festas aos finais de semana e outra é você ter todos os dias da semana. Uma é algo benéfico, outra… é prejudicial.

O avô da minha mãe contava que antes de conseguir seu primeiro emprego (em uma ferrovia) como maquinista ele precisou ficar observando por uma semana o trabalho da pessoa que ele iria substituir. Durante todo o período de observação ele aprendeu como “entender” o barulho do trilho, o barulho do trem, tudo… mas uma coisa ele não entendia o “martelinho matinal”. Todo dia antes do trem partir era preciso pegar o martelinho de borracha, bater nas rodas de ferro, entrar no trem e ir adiante. Em seu último dia de observação, meu bisavô que continuava sem entender a situação, resolveu perguntar ao senhor o porquê daquele martelinho. Ao perguntar a resposta foi: “Não sei, já era assim quando eu cheguei”.

Diversas pessoas muitas vezes questionam o porquê de muitas coisas que fazem, mas deixam morrer esse questionamento na praia e seguem adiante mesmo que aquilo que estejam fazendo seja um absurdo. As pessoas aqui no Brasil (não conheço outros lugares para falar) possuem pouco poder de transformação e parecem acreditar pouco em seus questionamentos.

Por isso, fiquem empolgados apenas com UMA coisa: “vocês” podem TRANSFORMAR. E esse é o papel da universidade. 😉

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  1. dri
    março 22, 2009 às 5:32 pm

    A faculdade em si não é boa, ou as pessoas de lá que não são? o_O
    OIHOEIASHI 😉 entendi certo, será?

  2. março 22, 2009 às 5:56 pm

    Dri, como já era de se esperar, imaginei que a pergunta viria de alguém que está prestes a prestar vestibular e não aguenta mais de ansiedade, pois não vê a hora de poder entrar na universidade [pública].

    Como eu disse anteriormente, o motivo para esse post não é para *desestimular* os estudantes, mas dizer a eles que não a faculdade não é as mil maravilhas que os professores do Ensino Médio pintam.

    Nomais, a universidade como ‘escola’ é MUITO boa, para não dizer fantástica. Lógico que possui picaretas como em todo lugar, mas a estrutura em si é ótima. Então, minha crítica é mais direcionada para as pessoas que estão lá dentro, pois a idéia de quem está fora é que lá dentro só existe *gênios* prontos para salvar o planeta. Uma imagem no minimo *ridícula* para não dizer outra coisa.

  3. Carol
    março 24, 2009 às 9:24 am

    Testando aqui..

  4. Carol
    março 24, 2009 às 9:37 am

    Antes de mais nada, que mostro é este na foto?? usahasuhuh Achei muito engraçado!
    Bom, mas agora que não deu mais erro ao enviar a mensagem no seu blog vou poder finalmente dar a minha opnião sobre o artigo.
    Eu não tiro a sua razão quando você diz que muito aluno do ensino médio dão muito valor ou acham que quem passa em uma universidade estadual é o inteligente.Digo como experiência própria, pois quando passei na Unicamp recebi muitos recados no orkut de pessoas mais novas dizendo que eu era crânio, nerd, ou cdf. Mas para conseguir chegar aonde eu estou não cheguei apenas com a minha intteligência. Passar no vestibular é uma questão de CONJUNTO, onde você precisa ter uma organização, saber priorizar as coisas que você acha mais importante, estudar, fazer exercícios físicos e claro, não deixar de se divertir, podendo ir em festas e/ou sair para namorar, ou outro tipo de diversão também, é óbvio!
    Mas depois de ter passado na faculdade, como vocÊ mesmo disse não é sempre como imaginamos.Não vá achando que chegar lá TODO MUNDO tem interesse ou estuda, pois na verdade não. A faculdade é uma sala de aula e como toda sala possui alunos que são interessados e outros não, mas claro que comparado a uma sala de aula no ensino médio, a maturidade, o assunto, a preocupação é bemmm diferente.
    Estou amando a faculdade, diferente do seu campus, Mateus, o meu é o campus novo da Unicamp e portanto não possui tantas pessoas “diferentes”, pois meu curso é noturno com apenas masi três cursos de noite, além do meu.
    Mas não deixo de dizer que lá tem gente que ainda se acha por estar dentro da universidade, esquecendo-se que como eles todos os outros que frequentam também foram aprovados e não diferentes deles.
    Ainda não tenho biblioteca, o que é uma pena, pois já na primeira semana estava fazendo falta. Como eu mesma disse o campus é novo então ainda estão terminado de montar e já conhece a lerdeza quando se tratando do governo.
    Acho que é isso que eu queria dizer.Uma pequena opnião baseada também no que eu estou vivenciando!
    Beijos ♥

  5. Carol
    março 24, 2009 às 9:39 am

    Ops, eu falei bastante. hahaha

  6. Greiston
    março 24, 2009 às 11:06 pm

    Um ótimo artigo. Não mostra só aquele mundo de fantasias que os professores do EM colocam na nossa cabeça. Claro que tem muitas coisas boas.. mas normalmente só sabemos das boas.

  7. Carol
    março 25, 2009 às 12:54 am

    O Greiston disse muito com poucas palavras. É isso ae mesmo!

  8. março 26, 2009 às 9:23 pm

    Carol, esse “monstro” na foto aparece para os usuários que não são registrados em um sistema, que não me lembro agora. 😛

    Eu e você já praticamente enchugamos todo esse assunto juntos, já que passamos algumas horas falando sobre ele; de qualquer forma, você disse que “não é como imaginamos” e realmente é isso mesmo. Eu imagina um ambiente BEM mais sério do que eu encontrei; não que eu esperasse por algo monótono, uma zuação até vai… mas tudo tem seu limite e pelo que estou percebendo o limite não existe e é isso que me desanima.

    Agora o que mais me deixa frustrado com a universidade é esse isolamento. É triste! Tem alguns trabalhos para idosos aqui na universidade muito bacana, mas é UM trabalho… e existem DEZENAS de outros que poderiam ser feitos mas que não são nem mesmo colocados em pauta. E esse tipo de situação atrasa ainda mais o desenvolvimento nas pesquisas e na universidade como um todo.

    Como eu tinha comentado e você frisou, não podemos esquecer dos que se acham a última bolacha do pacote, sendo que TODOS que estão lá dentro se encontram na MESMA SITUAÇÃO que ele. Eu realmente não entendo isso…

    Agradeço pelo comentário, meu amor e espero tê-la comentando sempre!

  9. março 26, 2009 às 9:27 pm

    Greiston, o mundo de fantasias é apenas a alma do negócio. 😛 O interesse deles é vender o peixe e eles fazem isso muito bem, não acho que isso é de todo ruim. Mas o que não dá é para os alunos que estão lá dentro ficarem olhando tudo que há de ruim e não criticar, ficar calado como se não houvesse nada.

    Eu elogio e MUITO minha universidade, sei a quantidade de coisas maravilhosas que ela possui, como eu bem disse a biblioteca é um GRANDE EXEMPLO. Mas eu não vou deixar passar as coisas que considero ruins… até porque eu acho que são coisas que podem ser melhoradas com um trabalho sério e não impossível, basta apenas ter força de vontade e, sinceramente, ajuda de alguns que estão por fora e tem poder…

  1. abril 5, 2009 às 11:05 pm

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