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Um pouco de Manuel Bandeira

Em resposta ao post do Olcyr que trazia um belíssimo poema do Manuel Bandeira, resolvi escrever [um pouco] sobre este grande autor.

Imaginem um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e ainda tradutor brasileiro, este era o pernambucano Manuel Bandeira. Um poeta que aprendeu a conviver com a tuberculose e a iminência da morte; dois aspectos que se tornaram temas freqüentes em sua poesia.

Em sua fase inicial, Bandeira compôs três livros, em que ainda são nítidas as influências Românticas e Simbolistas: “A cinza das horas” , “Carnaval” , “Ritmo dissoluto”.

Seu poema Os Sapos é considerado como uma “introdução” na Semana da Arte Moderna (pretendo escrever sobre ela). Melhor deixar o poema falar sozinho:

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
– “Meu pai foi à guerra!”
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos!

O meu verso é bom
Frumento sem joio
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A formas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas . . .”

Urra o sapo-boi:
– “Meu pai foi rei” – “Foi!”
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”

Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
– “A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo.”

Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas:
– “Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”.

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Verte a sombra imensa;

Lá, fugindo ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio.

Duas obras poéticas de Bandeira, ambas nos anos 30, marcam sua adesão ao modernismo: Libertinagem e Estrela-da-Manhã. Neles podemos encontrar a poetização do cotidiano, referências pessoais, referências a morte, simplicidade.

Manuel Bandeira, possui um estilo simples e direto; abordando temas do cotidiano e as vezes com uma abordagem de “poema-piada”.

“Manuel, Bandeira da poesia modernista”, é assim como se referia Oswald de Andrade.

Abraços.

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Categorias:Artigos
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. abril 8, 2009 às 5:48 pm

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