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Carlos Drummond de Andrade

Como sou adepto de que para combater a desinformação é preciso informação, vou tentar escrever um ‘pouquinho’ sobre ele.

Carlos Drummond de Andrade, nasceu em Itabira, Minas Gerais, e é um dos expoentes da poesia brasileira. Durante a década de 20, apareceu com publicações avulsas. Como por exemplo o poema No meio do caminho:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Drummond, assim como os modernistas defende a liberdade de criação, abolição de regras, valorização de uma arte e uma linguagem brasileira (nacionalismo crítico), absorção das vanguardas européias, adoção de versos livres, uso da linguagem coloquial, temas comuns do cotidiano, despreocupação gramatical; sendo essas quatro últimas, as principais características da primeira fase modernista.

A obra de Carlos Drummond pode ser vistas em quatro momentos:

O primeiro momento, na década de 30, seus dois primeiros livros ainda estavam sob nítida influência da primeira fase modernista. Livros de 30: Beijo das Almas , Alguma Poesia.

Já na década de 40, seus poemas nitidamente foram influenciados pelas questões sociais da época — Segunda Guerra Mundial, Estado Novo, crise do capitalismo, crescimento do ideal socialista, etc). Suas obras possuem um tom crítico aliado a postura de união, participação. Livros: “Sentimento do Mundo”, “José”, “A Rosa do Povo”.

Um pouco mais reflexiva, a década de 50, apresenta poemas mais filosóficos do que sociais, há um certo tom de melancolia, tristeza. Livros dessa época, foram: “Claro Enigma”, “Fazendeiros do Ar”, “A vida passada a limpo”.

A partir da década de 60, ocorre uma espécie de retomada das fases anteriores, além de algumas experiências novas. Em 1962, publica o livro “Lição das coisas”.

Mais um poema, “Carta a Stalingrado”:

Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!
O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,
e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem,
enquanto outros, vingadores, se elevam.

A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os telegramas de Moscou repetem Homero.
Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo
que nós, na escuridão, ignorávamos.
Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída,
na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,
no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,
na tua fria vontade de resistir.

Saber que resistes.
Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.
Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro
oculto) estará firme no alto da página.
Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu
a pena.
Saber que vigias, Stalingrado,
sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos
pensamentos distantes
dá um enorme alento à alma desesperada
e ao coração que duvida.

Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto
resplandecente!
As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio.
Débeis em face do teu pavoroso poder,
mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não
profanados,
as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues
sem luta,
aprendem contigo o gesto de fogo.
Também elas podem esperar.

Stalingrado, quantas esperanças!
Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!
Que felicidade brota de tuas casas!
De umas apenas resta a escada cheia de corpos;
de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança.
Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem
trabalho nas fábricas,
todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços
negros de parede,
mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,
ó minha louca Stalingrado!

A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços
sangrentos,
apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,
caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,
sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?
Uma criatura que não quer morrer e combate,
contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,
contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,
contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura
combate,
e vence.

As cidades podem vencer, Stalingrado!
Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma
fumaça subindo do Volga.
Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão
contra tudo.
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,
a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.

PS: Agradeço ao meu professor Ronaldo pelas boas aulas que tive de literatura, pois tudo que sei foi ele quem ensinou. Obrigado, professor.

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Categorias:Artigos
  1. Mariana Almeida Oliveira
    junho 13, 2010 às 1:11 pm

    Se eu naum conhecer as palavras do poema,como vou saber que pooema que é?
    Coloque pelo menos o TÍTULO dele naum é?
    Tchau…espero que acate esta informação óbvia!

  2. junho 13, 2010 às 1:54 pm

    Mariana, foi um deslize. Às vezes as informações óbvias passam despercebidas.

    Agradeço pelo crítica.

    Abraços!

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