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Archive for maio \30\UTC 2008

Pergunta que ofende?

Esses dias eu me deparei com algumas reportagens sobre a Amazônia. Nelas, haviam opiniões de todo canto do globo; estavam todos “preocupados” e querendo meter o bedelho.

Não sou nacionalista, nem alguém utópico que acha que ‘está tudo bem’ e que não precisa de medidas urgentes, entretanto tem uma pergunta na minha cabeça que me incomoda muito.

Por que os Estados Unidos e a Europa puderam consumir toda a energia (e recursos) que quiseram durante a fase de seu desenvolvimento, e agora países como o Brasil, China e India precisam ficar criando restrinções?

Veja, alguns diram: “Mas naquele tempo as coisas eram diferentes…”. Eram diferentes? Gostaria muito que me apontassem essas diferenças, já que não as vejo. O mundo continua competitivo da mesma maneira, todos querem uma fatia do mercado e com esse achatamento global, ninguém quer/pretende ficar para tras.

Por motivos geopolíticos, os que se colocam no pedestal para criticar, precisam abaixar a bola. Que direito países que usaram suas matrizes como bem entenderam para seu desenvolvimento (e consumo) querem agora dizer não para a nossa vez? As coisas não são tão simples assim…

Medidas severas (e sérias) precisam ser tomadas e se países desenvolvidos quiserem ajudar, com sugestões, medidas ou verbas, tudo bem, do contrário tais sugestões não terão qualquer valor.

Ou então, países como os Estados Unidos podem dar o exemplo; mudando seus padrões de consumo. Só assim, eles teriam alguma credibilidade para querer “ensinar” os outros.

Até o momento… não vejo nenhuma conversa “civilizada” sobre assunto.

EDITADO: Aproveitando, leiam o texto do Cristovam Buarque: A Internacionalização do Mundo

Abraços.

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Bom exemplo da USP

Eu estava lendo a coluna do Gilberto Dimenstein, um jornalista que aprecio suas críticas e artigos, e neste último ele falou sobre ‘um bom exemplo da USP’.

Não tinha conhecimento do projeto no qual ele fazia referência em seu artigo, mas lendo aqui, percebi que se tratava de um software livre muitíssimo interessante.

Como ele mesmo coloca em seu artigo (“A indústria de talentos”) o programa é um espécie de GPS educativo.

Em cada bairro o programa poderá identificar oportunidades de aprendizado.Por falta de informação alunos, pais e professores não aproveitam boa parte da riqueza cultural gratuita. Como o foco do programa é justamente atividades gratuitas ou a preços populares, isso ajudaria [e muito] criar uma espécie de “ponte” entre a escola e a comunidade.

Como ele mesmo diz: “se cada escola aproveitar o que existe em seu entorno, os alunos terão mais chance de se desenvolverem”.

Esse programa, se trabalhado de forma séria, pode ter um impacto MUITO importante, não só no Brasil, mas também no exterior, como já vem acontecendo.

Abraços.

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Mas cositas…

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Open Course Ware – OCW

Alguns devem estar se perguntando: Mas que diabos é OpenCourseWare?

E é com muito entusiasmo que irei explicar do que se trata o OCW. Há mais ou menos uns quatro dias, estive navegando em alguns sites de universidades americanas e brasileiras e foi quando me deparei com o OCW. Quando li do que se tratava não pude conter minha felicidade… 😛

O OCW (OpenCourseWare) são publicações gratuitas de materiais usados nos cursos do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Pode-se ter acesso aos exercícios de laboratório, sugestões de leituras, assistir a apresentações, etc.

Entretanto, Open Course Ware não é um curso on-line, e o próprio site já deixa BEM claro isto. Ele não oferece certificados, nem títulos, nem nada disso. Não tem como função conceder grau para os usuários, e sim, de apoiar interações diferentes em sala-de-aula ou ambientes diferentes.

E tem mais, para acessar todo esse conteúdo não é preciso um cadastro; basta entrar no MIT OpenCourseWare e aproveitar os vídeos, grupos de discussão, leituras, etc. 🙂

Entre os meus favoritos, está o Professor Walter Lewin, que apresenta em suas vídeo-aulas a Mecânica Newtoniana, Eletricidade e Magnetismo, Ondulatória. Suas aulas são um verdadeiro show.

Em uma busca rápida foi possível encontrar sua página pessoal e também uma entrevista.

Também encontrei no Youtube um vídeo com os melhores momentos de suas aulas:

As video lectures podem ser encontradas aqui.

Bom divertimento e ótimas aulas. 😉

Abraços.

Cositas…

Alguns links legais. 😉

Physics News Update nº864 (traduzido pelo João Carlos da comunidade de Física — admiro muito a iniciativa ;-))
Cerebro mais velho pode ser mais sabio
‘Linux is a platform for people, not just specialists’
Conselho de informatica? Veja porque eu digo NÃO! (esse país e suas regulamentações… 😦 )
Usuarios da internet estao mais egoistas
Brasileiros vivem ‘boom’ do consumo, diz New York Times
Conhece o dpaste.com?
Nascimento de supernova
Redes sem fio podem interferir em telefones sem fio?
Fold-it: jogo online em prol da ciencia

Dicas do Daniel Ferrante:

We need more novels about real scientists
Brazil, Free Software and “Castrate Windows”
Outsider science (um dos casos de Indice de Birutice)

Esse final de semana o José Hugo e o Marcos Paulo, ambos da comunidade de Física do Orkut, me indicaram ótimos materiais de Física que podem ser encontrados aqui e aqui. Estou lendo o Física I do Takeshi Kodama e o material é de excelente qualidade, recomendo.

Abraços.

O que falta no Ensino Medio?

Me deparo na internet com várias discussões sobre o ensino brasileiro. Algumas muito interessantes, outras, nem tanto. Todavia, encontrar relatos de jovens que estão no Ensino Médio, ou que tenham terminado é preciso procurar MUITO.

Como terminei o EM ha pouco tempo, achei interessante colocar uma análise do que vi, assim quem sabe, estimula outros jovens a escreverem sobre suas frustrações e satisfações com o ensino brasileiro.

Eu já disse em alguns posts por aqui que nossas escolas não apresentam a realidade como ela é.

Uma das coisas que eu não entendo é de onde tiraram essa idéia de que estudar é fácil; estudar requer [muito] esforço e somente a longo prazo se obtem um resultado satisfatório. Também nunca entendi de onde [os alunos] tiraram a idéia de que a área de Humanas não precisa ter conhecimento de Exatas (ou vice-versa).

Isto está errado. O nosso Ensino Médio tem como base fornecer *CONHECIMENTOS*GERAIS*, concordo que há MUITOS erros em nosso ensino, entretanto se essa “base” fosse trabalhada de forma séria (com competência) teríamos alunos com uma visão [de mundo] um pouco mais abrangente.

Passei grande parte do meu terceiro ano me perguntando: Por quê os alunos média-alta [da sala] são sacrificados, já que eles poderiam ter um rendimento maior se os professores elevassem o nível da aula (com demonstrações, exercicios difíceis, etc.)?

Até hoje não entendi muito bem isso. Prejudicamos uma minoria que quer, para priorizar uma maioria que não quer nada?

Não quero (e nem pretendo) defender a existência de “turmas exclusivas”, afinal não existem salas disponíveis (com carteiras, lousa, giz, etc.) e nem mesmo professores para [todas] essas turmas.

Entretanto, não é justo — com aqueles (poucos) que querem aprender — que somente para se ter uma sala mais homogênea tenha que diminuir o “nível” das aulas.

Eu sempre me faço a pergunta: Por quê quando se tem duas escolhas para se colocar em prática, se opta pela menos trabalhosa (mais cômoda) e a outra idéia mais DURA (severa, real) é SEMPRE descartada?

As aulas devem ter um nível alto e as provas devem ser difíceis. Os alunos desde cedo precisam saber que haverá pedras no caminho e que nem sempre a escola e nem seus pais irão poder removê-las. O papel fundamental da escola é fornecer aos alunos “ferramentas” para que possam abrir o seu [próprio] caminho.

Durante o Ensino Médio, tive que ouvir alguns questionamentos do tipo: “Onde vou usar isso na minha profissão?”

Por quê as matérias que são abordadas no Ensino Médio precisam ter uma utilidade prática em nosso cotidiano? Os alunos PRECISAM ter conhecimento de TODAS as áreas (Exatas, Humanas e Biológicas). O que é cobrado no Ensino Médio é o mínimo necessário.

Só a título de exemplificação: eu não sou bom em Biologia, mas eu aprendi o BÁSICO e o suficiente para em uma discussão não ficar ‘boiando’, ou ao ler (ou assistir) um jornal, entender o que está sendo transmitido. E algumas vezes vezes relacionar sintomas a determinadas doenças e até me prevenir contra outras. Ou até mesmo para saber quando alguém está tentando me enganar…

Esse conhecimento é INFAME perto da Biologia, entretanto é um conhecimento que eu não teria se não tivesse sentado e estudado um pouquinho.

Fico imaginando se houvesse essa separação logo no Ensino Médio. Teríamos advogados que não saberiam o que são equações quadráticas; Físicos que falariam que bactérias causam gripe; e Biólogos que não saberiam o que foi a Guerra Fria e o quê ela significou.

Eu não me canso em dizer que o que falta em nossas escolas é disciplina e responsabilidade.

Abraços.

Carlos Drummond de Andrade

maio 22, 2008 2 comentários

Como sou adepto de que para combater a desinformação é preciso informação, vou tentar escrever um ‘pouquinho’ sobre ele.

Carlos Drummond de Andrade, nasceu em Itabira, Minas Gerais, e é um dos expoentes da poesia brasileira. Durante a década de 20, apareceu com publicações avulsas. Como por exemplo o poema No meio do caminho:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Drummond, assim como os modernistas defende a liberdade de criação, abolição de regras, valorização de uma arte e uma linguagem brasileira (nacionalismo crítico), absorção das vanguardas européias, adoção de versos livres, uso da linguagem coloquial, temas comuns do cotidiano, despreocupação gramatical; sendo essas quatro últimas, as principais características da primeira fase modernista.

A obra de Carlos Drummond pode ser vistas em quatro momentos:

O primeiro momento, na década de 30, seus dois primeiros livros ainda estavam sob nítida influência da primeira fase modernista. Livros de 30: Beijo das Almas , Alguma Poesia.

Já na década de 40, seus poemas nitidamente foram influenciados pelas questões sociais da época — Segunda Guerra Mundial, Estado Novo, crise do capitalismo, crescimento do ideal socialista, etc). Suas obras possuem um tom crítico aliado a postura de união, participação. Livros: “Sentimento do Mundo”, “José”, “A Rosa do Povo”.

Um pouco mais reflexiva, a década de 50, apresenta poemas mais filosóficos do que sociais, há um certo tom de melancolia, tristeza. Livros dessa época, foram: “Claro Enigma”, “Fazendeiros do Ar”, “A vida passada a limpo”.

A partir da década de 60, ocorre uma espécie de retomada das fases anteriores, além de algumas experiências novas. Em 1962, publica o livro “Lição das coisas”.

Mais um poema, “Carta a Stalingrado”:

Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!
O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,
e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem,
enquanto outros, vingadores, se elevam.

A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os telegramas de Moscou repetem Homero.
Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo
que nós, na escuridão, ignorávamos.
Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída,
na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,
no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,
na tua fria vontade de resistir.

Saber que resistes.
Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.
Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro
oculto) estará firme no alto da página.
Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu
a pena.
Saber que vigias, Stalingrado,
sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos
pensamentos distantes
dá um enorme alento à alma desesperada
e ao coração que duvida.

Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto
resplandecente!
As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio.
Débeis em face do teu pavoroso poder,
mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não
profanados,
as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues
sem luta,
aprendem contigo o gesto de fogo.
Também elas podem esperar.

Stalingrado, quantas esperanças!
Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!
Que felicidade brota de tuas casas!
De umas apenas resta a escada cheia de corpos;
de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança.
Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem
trabalho nas fábricas,
todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços
negros de parede,
mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,
ó minha louca Stalingrado!

A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços
sangrentos,
apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,
caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,
sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?
Uma criatura que não quer morrer e combate,
contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,
contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,
contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura
combate,
e vence.

As cidades podem vencer, Stalingrado!
Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma
fumaça subindo do Volga.
Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão
contra tudo.
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,
a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.

PS: Agradeço ao meu professor Ronaldo pelas boas aulas que tive de literatura, pois tudo que sei foi ele quem ensinou. Obrigado, professor.

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