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A necessidade de ampliar as ideias

Premido por suas necessidades, o Homem cria suas ferramentas e, quando estas se mostram eficientes, o próprio uso das mesmas gera o seu aperfeiçoamento. O alicate primitivo deve ter se originado a partir da necessidade concreta de segurar alguma coisa, sem que nossas mãos pudessem fazê-lo (uma brasa, p. ex). Este alicate primitivo, imaginamos, devia ser bastante rústico: duas barras articuladas por um pino. No entanto, hoje, ao entrar numa loja de ferramentas, podemos observar alicates de muitos tipos diferentes, alguns até bastante sofisiticados.

A ferramenta evoluiu, superou suas finalidades iniciais e, nesse processo lento e demorado, ela foi sendo aperfeiçoada não apenas por uma pessoa, mas por todo o gênero humano. Assim também se passa com as ferramentas matemáticas. Por exemplo, a Trigonometria, que foi criada para resolver um determinado problema (cálculo de distância inacessíveis), hoje encontra muitas outras aplicações. Para que isso fosse possível, as suas idéias iniciais foram obrigadas a evoluir. De que maneira? Segundo que processo?

A vida nos mostra que o homem supera seus problemas a partir deles mesmos. Uma dificuldade muitas vezes é vencida negando-se a mesma. Empregamos negar no sentido de abandonar a situação existente e substituí-la por outra. É evidente que só interessa uma negação que corresponda à passagem para uma situação “mais favorável”, “mais evoluída”. Esta negação pode ser consciente ou inconsciente (parcial ou totalmente). Pode ocorrer num prazo de dias, de meses ou de séculos. Alguns exemplo ilustram essa afirmação:

  • uma criança de poucos meses não sabe andar. Ela aprenderá a andar, andando, ou seja, negando a sua situação anterior. Este processo é mais reflexo e cultural do que consciente;
  • se uma pessoa tem preconceito racial e mais tarde o abandona, isto envolve um processo pessoal de negação, ou seja, de substituição de um estágio psicológico e moral por outro, “mais evoluído”. Como isto se dá? A partir de uma série de informações e experiências que entram em contradição com o preconceito. Mas, a visão do mundo, para esta pessoa, está estruturada, até então, para dar lugar a tal preconceito e negá-lo exige uma reestruturação desta concepção de mundo. As contradições criadas têm que atingir um acúmulo suficiente para que esta pessoa ponha em dúvida toda sua visão de mundo anterior. Esta característica é comum a todo processo de negação. Num certo instante as novas informações criam as condições necessárias para o estabelecimento de uma nova concepção da vida na qual se tenha negado o preconceito;
  • no plano social e histórico, a escravidão foi um sistema vigente durante muitos séculos. Mas acabou sendo negada (superada) pelo sistema feudal, que deu início à Idade Média. Neste processo, os problemas acumulados na sociedade escravagista chegam a tal clímax que, por um lado, comprometem a própria existência dela e, por outro, fornecem os elementos para o aparecimento de uma nova sociedade. Os grupos sociais, tomando consciência deste processo, provocam as grandes mudanças históricas;
  • o feudalismo acabou também por ser negado (superado) pelo capitalismo comercial mercantilista, que dá início a Idade Moderna. Aqui também o processo é sócio-econômico e consciente.

Como isto é comum na vida: para poder avançar é preciso, muitas vezes, libertar-se do passado — e desse contínuo abandono do passado que depende o progresso do Homem. Essa situação é muito bem descrita na cena final da Peça didática de Baden-Baden, de Brecht, quando o coro afirma: Nós vos convidamos a marchar conosco e a conosco transformar não somente uma das leis da terra, mas a lei fundamental. E insistem: Quando vocês tiverem melhorado o mundo, melhorem este mundo melhorado! Abandonem este mundo! E ainda: Quando completando a verdade vocês tiverem transformado a humanidade, transformai esta humanidade transformada. Abandonai-a! E conclui: E transformando o mundo, transformai-vos. Saibam abandonar a vós mesmos!

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  1. março 28, 2008 às 7:11 pm

    Olá!

    Vejo que voltou a escrever, fico muito contete. ^^

    Sobre este seu post, realmente é inacreditavel como o ser humano é quase que obrigado a ampliar a mente. Aqueles que nao o fazem, sem sombra de dúvidas são os ignorantes. Podem ser até inteligente, mas nao adianta ter uma mente bem aberta para novas discussoes. =)

    Muito obrigada pelo comentário no meu blog ^^
    Abraços
    ;*

    e é isso aí: continue escrevendo x)

  2. Fernando
    março 29, 2008 às 11:16 am

    É complicado, como sou novo no mundo da sociologia fica difícil fazer uma análise aprofundada sobre o assunto, mas ficou claro que o autor coloca em destaque a necessidade da melhoria e evolução do homem como “ser racional” que se autodenomina, (hífen?) não nego que isso seja necessário, tanto é que os grandes gênios ficaram marcados pela sua capacidade de “abrir a mente”. O que intriga são os valores, que geralmente são criados pela própria sociedade, denominando o Ignorante e o Gênio positivista. Apesar de tudo, esses valores são dispostos de pessoa para pessoa, um exemplo banal é criticar uma sociedade com resquício indigena, denominando-a Ignorante por não seguir os padrões capitalistas de uma sociedade “Avançada”, mas claro isso vai de cada um !

    Abração !

  3. março 29, 2008 às 11:17 am

    Teste. Testando…

  1. maio 10, 2009 às 3:46 pm

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