Início > Artigos > Do preconceito a passividade

Do preconceito a passividade

Fiquei de colocar uma crítica feita por mim, baseada em um artigo que li, escrito pelo ex-senador Jarbas Passarinho, sobre o que ele achava do racismo no Brasil. E aproveitando que o tema do mês na Roda de Ciência é mais ou menos sobre isso, achei que ficaria legal.

Estou cansado e com sono, então perdoe algum errinho de concordância.

Existe racismo no Brasil?

“O problema, no fundo, é de mobilidade social. O negro não pode entrar no clube do branco porque ele é pobre.”

“Não existe racismo no Brasil. Não temos em nosso país nada que se assemelhe ao apartheid que existiu na África do Sul ou à discriminação que, nos Estados Unidos, produziu uma sangrenta campanha pelos direitos civis. A sociedade brasileira não é racista e, prova disso, é que não há clubes exclusivos para brancos. Se o negro não é admitido lá dentro, o que existe é preconceito econômico. Preto não entra no clube porque é pobre. A questão é, no fundo, de mobilidade social. Vindos de uma camada mais pobre, os negros dificilmente têm acesso às funções de maior relevo. Se já tivemos generais pretos, nenhum deles chegou a quatro estrelas, por exemplo. Há gente de cor em nossos tribunais superiores, mas não no Supremo Tribunal Federal. O quadro se assemelha à discriminação sofrida pela mulher, que também tem dificuldade para chegar aos postos mais altos. Não podemos esquecer que a situação, no entanto, já foi pior. Quando entrei para a Escola Militar de Realengo, em 1939, havia um racismo mascarado. Após pegar o sol nas praias do Rio de Janeiro, um caboclo do Pará tirou uma fotografia e a enviou com o pedido de inscrição à direção da Escola Militar. Foi recusado. Quando compareceu pessoalmente, o pessoal percebeu que ele não era preto e o rapaz foi aceito. No Realengo, havia ainda um aberto anti-semitismo. Os judeus eram barrados.
Apesar da escravidão durante o período da monarquia, o racismo como doutrina não vingou no Brasil por causa da miscigenação. O português aqui cruzou com negros e índios, ao contrário do que ocorreu na África, e isso gerou a fabulosa mulata brasileira, admirada por todos. O curioso é que, se há alguma tipo de preconceito racial, ele é cultivado pelo próprios negros. Por que Pelé e Romário escolhem mulheres brancas para o casamento? Parece que ao ascender socialmente, o negro brasileiro tende a desprezar a própria raça.”

Abaixo a simpática carta que escrevi ao ex-senador em questão.

Ilustríssimo senhor Jarbas Passarinho,

Li seu artigo sobre racismo no Brasil, e encontrei as mais estapafúrdias idéias, e por meio desta carta, pretendo criticá-las, de forma clara e objetiva.
Quando o senhor diz que – “Não existe racismo no Brasil” – demonstra uma carência (ignorância) em fatos ocorridos em nossa história. Já que, o surgimento deste em nossa terra, começou no período colonial, quando os portugueses trouxeram os primeiros africanos negros para serem escravizados. Desde então, essa segregação ocorre, e não são precisos clubes exclusivos para brancos, uma vez que a condição social do negro é tão generalizada que jamais conseguiria freqüentar tais lugares.
Essa discriminação vai desde baixos salários à ausência de negros nos mais altos cargos representativos. Mostrando que, em um país em que a raça negra representa mais da metade da população, o que falta são as mesmas oportunidades.
A distinção entre mulheres e homens é evidente no mercado de trabalho, principalmente em relação à mulher negra. E esse preconceito tem suas raízes na escravidão, que apesar de ter sido abolida, ainda influência nas relações sociais e como tal, no mercado de trabalho. O senhor, quando faz essa comparação, demonstra incoerência em suas afirmações iniciais, já que isto nos remete à idéia da existência de racismo na terra de tupiniquim.
A separação racial se torna completamente irracional, quando consideramos que as adaptações não alteram sua estrutura quanto espécie, ou seja, deve-se entender que aqui não há negros, brancos, amarelos, e sim, brasileiros.

Citação: “Eu tenho um sonho, que meus filhos viverão um dia em uma nação onde eles não serão julgados pela cor de sua pele mas pelo conteúdo de seu caráter”. (Martin Luther King)

É só.

Amanhã vou ver se arrumo tempo para colocar uns links.

[]’s

Anúncios
Categorias:Artigos
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: