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Archive for maio \25\UTC 2007

Explicação, Realismo…

maio 25, 2007 3 comentários

Como é de costume, esqueci totalmente do meu blog. As semanas andam cheia de trabalhos, e nos finais de semana, acabo tirando para me divertir com os amigos; ninguém é de ferro né? 😛

Estava pensando em escrever sobre racismo, que inclusive é o tema desse mês na Roda de Ciência. Para ser sincero, eu escrevi, só que em papel; o problema é que não o acho de maneira alguma em meio a minha bagunça. Então vou fazer o seguinte, vou escrever um pouco sobre Realismo, afinal tive uma aula maravilhosa [como de costume!] com o Professor Ronaldo, e também porque é uma das escolas literárias que mais gosto.

Bom, caso até final da tarde eu ache o texto que escrevi sobre racismo, eu coloco aqui.

Então, vamos lá…

“Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz consciência, e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa , e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! que desabafo! Que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lentejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos, não há platéia. O olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que pisamos o território da morte; não digo que ele não se estenda para cá, e nos não examine e julgue; mas nós é que não se nos dá do exame nem do julgamento. Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como o desdém dos finados.”

(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas, cap. I.)

“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legados da nossa miséria.” (Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas, cap. CLX.)

Nada como bons trechos machadianos. 🙂

Na segunda metade do século XIX, o realismo surge na França, quando Gustave Flaubert publica seu romance, Madame Bovary (esse link sobre o livro, está muito interessante, recomendo a leitura). O Realismo, movimento artístico surgido na França, e depois se estendeu a numerosos países, esta corrente aparece no momento em que ocorrem as primeiras lutas sociais, contra o capitalismo.

Pode-se dizer, que a passagem do Romantismo para o Realismo, corresponde uma mudança do belo ideal para o real e objetivo. Ou seja, é uma oposição à visão idealizadora, do “mundo perfeito em que não vivemos”, dentro de uma perspectiva crítica.

No Brasil, a introdução do Realismo, foi em 1881 com o livro do Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. Já em Portugal, foi em 1865 com a Questão Coimbrã – ou “Bom Senso e Bom Gosto” – que foi uma divergência entre dois grupos: de um lado, Antero de Quental e os jovens de Coimbra, defendendo idéias novas (Realismo); do outro, Antonio Feliciano de Castilho e os tradicionais escritores românticos de Lisboa. Em 1871, ocorrem as “Conferências Democráticas de Cassino Lisbonense”; que eram ciclos de palestras, organizadas por Antero de Quental e Eça de Queirós, discutindo temas realistas.

Só para citar mais claramente, o Socialismo, o Positivismo [que via na igreja um atraso para as pessoas], e o Evolucionismo baseado na seleção natural de Charles Darwin, são influências sofridas pelo Realismo.

As características do Realismo; é que há uma apresentação da realidade (fim do escapismo), e essa apresentação é de uma forma negativa, ou seja, uma visão cruel de “podres” sociais, uma visão fria, materialista (fim do sentimentalismo).

PS: Recomendo uma boa leitura sobre o contraste com o otimismo progressista, e sobre o filósofo alemão Schopenhauer, são coisas interessantíssimas. 🙂

Um trecho;

…daí se deduz que a vida é dor, porque vontade é desejo daquilo que não se tem, é ausência, privação e, portanto, sofrimento, sobretudo se considerado o fato de que “satisfação duradoura e permanente objeto algum do querer pode fornecer; é como a caridade oferecida a um mendigo, a lhe garantir a vida hoje e prolongar sua miséria amanhã”.

(Arthur Schopenhauer, O Mundo como Vontade e Representação, p. 32.)

Essa sua obra principal, considera a realidade sob duplo aspecto: fenômeno e nômeno.

Acho que é só.

[]’s

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Algumas cousitas…

maio 6, 2007 1 comentário

Colocar umas cousitas para movimentar o blog, se não vai enferrujar. Vou colocar algumas indicações de leitura, mais um pouco de Russell, e um pouco de um livro do Huxley que estou lendo.

Bertrand Russell propôs um código de conduta, em dez princípios, são eles:

1. Não tenha certeza absoluta de nada.

2. Não considere que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.

3. Nunca tente desencorajar o pensamento de alguém, pois com certeza você terá sucesso.

4. Quando você encontrar oposição, mesmo que seja de seu marido ou de suas crianças, esforce-se para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.

5. Não tenha respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.

6. Não use o poder para suprimir opiniões que considere perniciosas, pois as opiniões irão suprimir você.

7. Não tenha medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.

8. Encontre mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se você valoriza a inteligência como deveria, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.

9. Seja escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentar escondê-la.

10. Não tenha inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.

Não tem/tenho muito o que falar. 🙂

Bom, nesse final de semana, acabei não conseguindo terminar de ler o livro que comecei do Aldous HuxleyA Situação Humana (The Human Situation) – acho que devido cansaço, mas até o final dessa semana eu termino. Recomendo a leitura a todos, um ótimo livro; que inclusive vou fazer questão de colocar uma parte:

Como todos sabemos, aprender pouco é algo perigoso. Mas excesso de aprendizado altamente especializado também é uma coisa perigosa, e por vezes pode ser ainda mais perigoso do que aprender só um pouco. Um dos principais problemas da educação superior agora é conciliar as exigências da muita aprendizagem, que é essencialmente uma aprendizagem especializada, com as
exigências da pouca aprendizagem, que é a abordagem mais ampla, mas menos profunda, dos problemas humanos em geral. […]
Meu pressentimento é que uma educação integrada ideal exige uma abordagem do tema em termos de problemas humanos fundamentais. Quem somos? Qual a natureza da natureza humana? Como devemos nos relacionar com o planeta em que vivemos? Como viveremos juntos satisfatoriamente? Como devemos desenvolver nossas potencialidades individuais? Qual a relação
entre natureza e formação? Se começarmos com esses problemas, e os tornarmos centrais, poderemos reunir informações de uma série bastante grande das disciplinas atualmente separadas. Penso que provavelmente esse é o único modo de podermos criar uma forma realmente integrada de educação.
Entrementes, porém, essa educação integrada não existe. Aqui, penso, está o motivo pelo qual uma pessoa como eu, que tem o que podemos chamar de ignorância enciclopédica em muitos campos, pode ser útil a uma instituição de aprendizagem altamente especializada como esta. Um homem de letras pode exercer uma função valiosa no mundo, juntando uma porção de assuntos e
mostrando as relações entre eles. É uma questão de construir pontes. […]

Só um pequeno trecho do início do livro. Fica recomendada a leitura.

Ainda com indicações;

Nunca ajude quem não pede ajuda (algumas indicações de livros do Richard Feynman)
Masterclass (leitura bem interessante)
PAC da Educação segue lógica de mercado

E agora do lado mais técnico;

Internet a cabo super-rápida
IBM salta duas gerações na fabricação de chips (aproveitando o embalo; IBM diz que fará chips mais rápidos)
Astronômos brasileiros participam em descoberta do planeta extrasolar

E para quebrar o gelo, meu colega João Paulo colocou um post engraçado em seu blog, dê uma olhada; Verdadeira receita para passar no vestibular

Falou’s.