Momentos de uma velhice…

28 09 2009

Uma amiga me jogou a idéia de escrever sobre idosos. Achei sensacional. Aproveitando o artigo, indico a música do Pearl Jam logo abaixo para ser ouvida junto a leitura.

Pessoas idosas são encantadoras. Não só pelas histórias fascinantes que passaram, mas pelas opiniões sensatas; aos olhos de hoje podem ser consideradas até ultrapassadas e algumas vezes antiquadas, entretanto possuem uma beleza de um passado não tão distante que merece ser ouvido com muito carinho.

A visão ultrapassada deixa de ser quando passamos a enxergar nela a velocidade que o mundo caminha. Passamos a ver que logo nós seremos os idosos e aquela frase de ônibus — “respeitar o idoso é respeitar a si mesmo” — faz todo sentido. Objetivos são alcançados, os filhos se formam, os netos chegam a faculdade e a fase idosa chegou. A visão é apenas diferente do tempo atual, mas não deixa de ter um valor sentimental.

Ouvir o que um idoso tem a dizer sobre a vida é magnífico, você tem a oportunidade de ir a lugares belos que você já conhece, mas com uma “arquitetura” diferente. Se deliciar com as histórias é como viajar no tempo; sentir-se em uma máquina que te leva do futuro ao passado. Sensação maravilhosa. Única.

Alguns idosos perdem habilidades e suas funções neurológicas como raciocinio e memória são diminuídas. Aqui na faculdade há um trabalho comunitário no qual todos os idosos que participam possuem Mal de Alzheimer. O mais triste disso tudo é você cumprimentar uma pessoa e na semana seguinte não saber se ela vai reconhecê-lo. É você ver o tamanho da alegria quando um deles lembram o dia da semana e em que mês estão.

Carlos Drummond, um dos meus poetas favoritos, dizia que há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons. E é verdade.

Por isso, quando algum senhor ou senhora se propuser a contar uma história, aproveite aquele momento, se entregue… faça-o feliz, pois pode ser que algum dia aquele senhor(a) não lembrará mais daquela história fantástica que gostaria de contar naquele momento. Alias pode ser que o senhor(a) que gostaria de contar aquela história algum dia seja você.





No profundo ’spleen’

11 09 2009

Como podem ver estou afastado do blog. Peço desculpas para aqueles que sempre se dão ao trabalho de vir aqui para ler alguma coisa nova; estou passando por alguns problemas e estudando muito. O tempo que me sobra tenho dedicado a mim e a minha saúde e os textos e poesias que escrevo, são apenas relatos pessoais que não precisam ser mencionados aqui. Quem sabe algum dia os transformarei em artigos.

Essa semana apesar de curta me pareceu muito longa. O feriado foi rápido, parece que não aproveitei e ele está entre os mais tristes para mim. Infelizmente.

Para não deixar o blog sem novos posts, preencherei com duas músicas: Yann Tiersen – Summer 78 e Belle and Sebastian – This Is Just A Modern Rock Song.

Perdoem meu estado spleen da geração byroniana do romantismo. ;-)





Pequeno pensamento

4 09 2009

Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio e perguntou:
“Você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?”
O sapo respondeu:
“Só se eu fosse tolo! Você é mau e vai me picar, eu vou ficar paralizado e vou afundar.”
O escorpião replica: “Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos.”
Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio. No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo. Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: “Por quê? Por quê?”
E o escorpião lhe respondeu:
“Você estava certo, eu sou mau mesmo. Essa é a minha natureza.”

Apenas uma parábola que meu professor de literatura contava (muito bem por sinal) quando eu estava no Ensino Médio. Provavelmente o blog ficará sem atualização até terça-feira, pois estarei saindo de viagem. Infelizmente não estou tendo tempo de atualizar o blog, até porque também não estou tendo tempo de escrever — faculdade está tudo muito corrido.

Enfim, um bom feriado e bom descanso para todos.





O dia em uma imagem

1 09 2009

Achei interessante a idéia de contar parte do dia através de imagens. Alias, aqueles que acharem a idéia interessante e quiserem fazer o mesmo em seus blogs, flickr, etc., comentem aqui ou façam um trackback para cá. Seria muito bacana e posso garantir que é uma diversão garantida fazer isso durante o dia.

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Pensamento do dia: faculdade

25 08 2009
Créditos: Aó Freitas

Créditos: Aó Freitas

Na faculdade é onde temos o maior número de idéias sejam idiotas ou não. Durante o período que passamos na sala-de-aula, biblioteca, cantina, sentado no banco, conversando entre amigos, surgem tantas idéias que conseguiríamos vender qualquer coisa ruim e faríamos um cliente satisfeito.

As piadas ou frases mais sem noção que eu já tive o (des)prazer de escutar veio da boca de meus companheiros de sala. Costumo chamar de piadas de momento: momento de desespero, angústia, diversão, raiva. Para cada momento uma piada diferente. Piadas que possuem um propósito: aliviar a tensão. Não, há outro… tirar onda com a situação e mostrar para os outros que eles estão ferrados tanto quanto você.

É para isso que servem os companheiros, zuar na desgraça… principalmente se ela for sua. A verdade é que não há nada mais engraçado do que rir da própria desgraça ou da desgraça alheia. Não interessa o quanto a desgraça foi ruim e o quanto você sofreu, após um tempo… você irá fazer piada dela. E arrisco a dizer que se bem feita, serão as melhores.

E não adianta, todo bom aluno está sempre atrasado. Ele pode se esforçar ao máximo para acordar mais cedo, mas chegará atrasado; passar noites em claro estudando, mas no dia seguinte o professor dobrará a quantidade de matéria e lá vai ele novamente… estar atrasado.

Como se não bastasse estar atrasados resolvem chegar todos juntos. Basta o professor começar a passar matéria que começa a chegar a galera. Parece que todos andam em fila indiana dentro da faculdade, vai chegando um atrás do outro num intervalo de tempo tão pequeno que fechar a porta é bobeira. Inclusive, proponho aos professores que cheguem 10 minutos mais cedo e comecem a passar algo no quadro, quem sabe, né?

O aprendizado da faculdade vai além do intelectual…





Nova política dos comentários

24 08 2009

Olá, pessoas.

Quando mudei do meu blog antigo para esse eu tinha em mente além de aprender coisas novas sobre a blogosfera, também ensinar o pessoal com o pouco que eu sei; divulgando ciência, linkando coisas interessantes, ajudar alunos do ensino médio, discutir política, colocar métodos de organização, falar sobre filmes, enfim… escrever de tudo um pouco. Minha idéia central ainda é essa: discutir sobre tudo. Se algum dia meu interesse for outro, criarei outro blog.

A questão é que hoje de manhã, recebi alguns ‘ataques’ de um garotinho(a) mimado(a) que infelizmente tem um pessamento atual de que o mundo é obrigado a fazer (e a atender) o que eles querem naquele exato momento. Eu não fui educado assim e nem educarei meus filhos assim, portanto não sou obrigado a aguentar esse tipo de abobrinha de pais que não sabem colocar seus filhos no devido lugar.

O cara não tem a pachorra de *ler* e *pensar*; para o sujeito essas duas palavras não se misturam e aí ele vem criticar um artigo (que eu reconheço que eu preciso de rever alguns pontos) com todos os palavrões possíveis nos dedos.

Enfim, nenhum comentário do tal sujeito(a) me agrediu, mas… infelizmente vou ter que moderar os comentários, ou seja, eles vão ficar mediantes aprovação, coisa que eu não gostaria de fazer. Vou para a faculdade agora, até de tarde devo estar colocando isso que eu comentei. Espero que a galera não deixe de comentar (já são poucos) e fazer perguntas por causa disso.





Retorno de bons momentos

23 08 2009

ferias

Faz muito tempo que não escrevo por aqui. A razão é que eu entrei de férias no dia 6 de julho e fiquei até dia 17 de agosto sem qualquer acesso a internet; confesso que senti falta de algumas coisas que o mundo virtual me proporciona, entretanto o tempo que passei com meus pais, minha namorada, os pais dela e meus amigos foram simplesmente inesquecíveis.

Arrisco a dizer que essas férias de julho foram as melhores da minha vida; li e re-li bons livros, conversei muito sobre eles, assisti bons filmes, comi boas comidas, ri muito… e amei. Talvez no nível *apenas* intelectual eu não tenha adquirido tanto quanto no semestre da faculdade, porém em se tratanto do meu emocional obtive um aprendizado que levarei para toda vida.

Minha mãe sempre me dizia que o maior sinal de amadurecimento é quando passamos a valorizar um momento especial e guardá-lo para analisar no futuro, percebendo que o que forma uma pessoa não é apenas a quantidade de livros que ela leu durante a vida, mas também o quanto de momentos bons que ela teve com aqueles que a amam.

Enfim, estou feliz em voltar para a terra dos estudos, estou muito animado com os livros que tenho lido e feliz com a minha organização pessoal. Consigo estudar as matérias do dia e me divertir com isso e ainda sobra um tempo para relaxar (malhar, conversar com os amigos, ficar a toa, escrever).

Não nego que as vezes sinto saudade dos momentos que tive em minha terrinha, porém grandes escritores diriam que a saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena, portanto aproveito esse momento melancólico também. E me desculpem talvez pelo paradoxo, mas aproveito da melancolia com um sorriso no rosto.

Provavelmente escreverei com mais frequência aqui no blog, já que sempre acabo tirando um tempo do meu dia para fazer um rearranjo de idéias e criar coisas boas para quem sabe algum dia fazer um memorial de tudo aquilo que vivi nos bons tempos de faculdade. :-)

Um abraço e para aqueles que voltaram agora para a faculdade, espero que já tenham (re)acostumado com a rotina de estudos.





Pale blue dot

4 07 2009

“Éramos caçadores e coletores. A fronteira estava por toda parte. Éramos limitados apenas pela Terra, pelo oceano e pelo céu. A estrada aberta ainda nos chama suavemente. O nosso pequeno globo terráqueo é o hospício dessas centenas de milhares de milhões de mundos.

Nós, que não conseguimos pôr ordem sequer em nosso planeta natal, dilacerado por rivalidades e ódios, vamos nos aventurar pelo espaço?

Quando estivermos preparados para colonizar sistemas planetários próximos, teremos mudado. A simples passagem de tantas gerações nos terá mudado. A necessidade nos terá mudado. Somos uma espécie adaptável. Não seremos nós que chegaremos à Alfa do Centauro e às demais estrelas próximas. Será uma espécie muito parecida conosco, com mais virtudes e menos fraquezas que nós.

Mais segura, previdente, capaz e sensata. Apesar de todos os nossos fracassos, a despeito de nossas limitações e falibilidades, somos capazes de grandeza. Que novas maravilhas, jamais sonhadas em nossos tempos, teremos elaborado em mais uma geração? E em outra mais? Até onde nossa espécie nômade terá errado no final do próximo século? E do próximo milênio?

Nossos descendentes remotos, estabelecidos com segurança em muitos mundos pelo Sistema Solar e mais além, serão unidos pela sua herança comum, pela sua consideração para com o planeta natal e pelo conhecimento de que, sejam quais forem as outras formas de vida possíveis, os únicos seres humanos em todo o Universo vêm da Terra.

Erguerão e forçarão os olhos para descobrir o ponto azul no céu. Ficarão maravilhados ao perceber como era outrora vulnerável o repositório de todo o nosso potencial, como foi perigosa a nossa infância, como foram humildes as nossas origens, quantos rios tivemos de cruzar antes de encontrar nosso caminho”.

Carl Sagan, “Pálido Ponto Azul”.

P.S.: Retirado de Sedentário e Hiperativo





Um pequeno filme

4 07 2009

Sempre achei que nós devemos compartilhar aquilo que é bom, alias meu blog desde o início eu tive essa idéia, pois muitas vezes um simples poema, vídeo ou até um questionamento, vem carregado de um sentimento que para a pessoa que está assistindo/lendo se torna especial. E por ora, em alguns casos, alegra uma manhã, uma tarde ou quem sabe… um dia que estava perdido.

A rede está repleta de arquivos. São gigas de informações, algumas horríveis que não valem a pena perder o tempo, outras… inesquecíveis.

Não estou escrevendo esse post para falar sobre isso, confesso que é uma boa idéia e vai ficar registrado para textos posteriores, mas minha intenção é indicar o vídeo abaixo que achei maravilhoso.

O homem do vídeo utiliza ferramentas holográficas para construir um prédio para a mulher que ele ama. O desfecho é incrível e a mensagem que cada um tira deste short film é, como eu disse anteriormente, única.

P.S.: Final de semestre chegando e é aquela correria… mas logo estou de férias.





“Meus oito anos” de Casimiro de Abreu

28 06 2009

Este poema do Casimiro de Abreu, poeta brasileiro da segunda geração romântica, traz consigo de uma forma simples, espontânea e ingênua, os “meus oito anos” (e de muita gente) de uma forma tão maravilhosa e nostálgica que declamar esse poema na frente de um espelho é “ganhar” o dia.

Oh! que saudades que tenho
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Depois de lido e “declamado” a você, veja a declamação de Paulo Autran, um ator brasileiro de teatro, cinema e televisão que foi genial.