Qual é o papel da escola? E do aluno?

20 05 2008

Eu tinha em mente escrever um post sobre organização e métodos para as horas de estudos, mas lembrei que eu já tinha escrito aqui sobre isto, então irei falar sobre qual é a responsabilidade da escola e do aluno.

Durante todo o Ensino Médio, ouvi professores com aqueles sermões-chaves: “Você tem que estudar para ser alguém na vida…”, “Estudar é importante…”, “O mercado de trabalho está cada vez mais seletivo e estudar é a melhor forma de conseguir um bom lugar neste mercado”, …entre outras puxadas de orelha.

Sinceramente, esses sermões foram falados de uma maneira pouco tocante para a maioria, pois de certa forma eles eram “agradáveis” e não mostravam a [dura] REALIDADE. Sermões na hora certa são importantes, todavia eles precisam mostrar a realidade para o aluno, pois este precisa saber como é o mundo que ele irá enfrentar.

As escolas não apresentam a realidade como ela realmente é. Pais, professores, diretores, etc. durante um bom tempo passam a mão na cabeça de aluno, só que no mundo da pílula vermelha a coisa não é bem assim; nem sempre pais, professores, diretores (e companhia) estarão como pilares para sustentar os erros cometidos pelos filhos/alunos. Chega uma hora que é preciso andar com as próprias pernas e pagar pelos próprios erros.

Não é ensinado aos alunos que o mundo não sente pena e que ele não pára porque algo que você fez deu errado, muito pelo contrário, ele te atropela se você ficar no meio do caminho. Essa pode parecer uma visão assustadora, mas é a realidade, e os alunos não são apresentados a ela para a encará-la com maturidade, mas, sim, com insegurança.

Não estou dizendo que devemos aterrorizar os alunos com tudo de podre que o mundo tem, mas não dá para mostrar somente as coisas incríveis e maravilhosas. Algumas vezes, passamos a mão na cabeça durante MUITO tempo e isso acaba sendo prejudicial.

A melhor maneira para se ter bons alunos é mostrar desde cedo qual é o SEU papel na escola. É mostrar que a escola não é um encontro de amigos em que se bebe cerveja e come amendoim enquanto a porção de fritas não chega; mas um LOCAL DE TRABALHO. Fico pensando: será que os alunos pensam que no campo de preenchimento ‘profissão’ o ‘estudante’ está lá apenas para preencher espaço em branco?

Escola é coisa séria e tem hora para tudo. A impressão que tenho é que as salas de aula representam o nosso Congresso Nacional; todos falando ao mesmo tempo, diversos assuntos fora do escopo sendo tratados em hora errada, isso para não falar daqueles com o celular no ouvido. Uma verdadeira falta de organização e respeito.

Disciplina e responsabilidade são “matérias” que os alunos tem pouco (ou quase nenhum) conhecimento. Infelizmente.

Espero que um dia isso mude.

Abraços.





Conceitos matematicos

20 05 2008

Recebi um texto da minha (ex)professora, e achei que este merecia estar aqui no blog. Afinal, alguns alunos confundem muito as proposições matemáticas.

A matemática pode ser vista de dois modos; ela pode ser considerada como um conjunto de ferramentas de cálculo necessárias para outras ciências ou para o cotidiano e pode ser considerada como uma ciência em si. Nos dois casos, podemos destacar uma característica fundamental: em toda atividade matemática, a meta é chegar a uma conclusão, partindo de uma série de pressupostos. Para o matemático, o caminho dos pressupostos à conclusão nada mais é do que uma seqüência finita (p_0, p_1, p_2, …, p_n) de proposições. Os conceitos usados nessas proposições são, obrigatoriamente, primitivos ou definidos, e cada uma dessas proposições deve ser, obrigatoriamente, uma conseqüência lógica de postulados ou teoremas. A intuição será empregada apenas para uma escolha adequada dos conceitos, dos postulados, dos teoremas e da ordem em que esses serão usados para formar a seqüência (p_0, p_1, p_2, …, p_n).

Suponhamos, por exemplo, que um matemático tivesse que criar uma teoria sobre o Jogo da Velha. Ele partiria de um:

Conceito primitivo: Provavelmente ele não daria definições para cruzinha, bolinha, casa vazia e jogador; estes seriam os conceitos primitivos da sua teoria, pois um estudo particular sobre estes de nada serviria para o objetivo de não perder o jogo. Também não haverá interesse em explicar o que é um número natural e o que é um par ordenado de números naturais.

Conceito definido:O matemático irá definir o campo de jogo, a casa de cada um dos nove elementos, a jogada, e também, os conceitos de coluna, diagonal, vitória, empate e fim de jogo.

Postulado (ou axioma): É qualquer proposição aceita como verdadeira na teoria, sem demonstração. O matemático poderia adotar os seguintes postulados para o Jogo da Velha: (i) há apenas dois jogadores A e B; (ii) o jogador A será identificado pela cruzinha e o B pela bolinha; (iii) a primeira jogada é do jogador A.

Teorema:; É qualquer proposição que só é aceita como verdadeira, mediante demonstração. Exemplo: (i) Jogadas de ordem ímpar são do jogador A; (ii) jogadas de ordem par são do jogador B; (iii) existe pelo menos uma seqüência de jogadas para o segundo jogador que lhe garante empate.

Se você se considera um matemático em potencial, poderá completar os itens acima, ou modificá-los completamente, de tal modo que seja possível chegar às demonstrações dos teoremas. Nesse caso, para aqueles que estudarem sua teoria, o Jodo da Velha perderá seu status de jogo, reduzindo-se a um exercício de matemática.
Você haverá de concordar que, em qualquer teoria, o ponto de partida será necessariamente formado por um mínimo de conceitos primitivos e postulados. A partir destes será construído o resto da teoria; com proposições compostas de definições e teoremas, mediante as regras da lógica matemática.

As apresentações desses conceitos matemáticos no Ensino Médio são passados muito rápido e o aluno acaba perdendo uma explicação, eu diria, fundamental para a compreensão de algumas coisas. Achei que o exemplo colocado pelo autor (que não tenho o nome) foi bem didático e de fácil compreensão. Qualquer dúvida, coloque nos comentários que será um prazer responder.

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