Pode-se dizer, em tese, que a essência da ética provém da pressão da comunidade sobre o indivíduo. O homem pouco tem de gregrário, e nem sempre sente, instintivamente, os desejos comuns a sua grei. Esta, ansiosa para que o invíduo aja no seu interesse, tem inventado vários artifícios com o fim de harmonizar os interesses individuais com os seus próprios. Um destes é o governo, outro é a lei e o costume, e o outro é a moral. A moral torna-se uma força eficiente de duas maneiras: primeiro, através do louvor e da censura dos que o cercam e das autoridades; e segundo, através do autolouvor e da autocensura, os quais são chamados de “consciência”. Por meio destas várias forças – governo, lei, moral – o interesse da comunidade se faz sentir sobre o indivíduo. [...]
Chego agora a meu último problema, que se relaciona com os direitos do indivíduo, em contraposição aos da sociedade. A ética, nós o dissemos, é a parte de uma tentativa para tornar o homem mais gregário do que a natureza o fez. As pressões que a moral exerce sobre o indivíduo são, pode-se dizer, devidas ao gregarismo apenas parcial da espécie humana. Mas isto é uma meia verdade. Muitas de suas melhores coisas vêm do fato de não ser ela completamente gregária. O homem tem seu valor intrínseco, e os melhores indivíduos fazem contribuições para o bem geral que não são solicitadas e que, muitas vezes, chegam a sofrer reação por parte do resto da comunidade. É, pois, uma parte essencial da busca do bem geral, o permitir aos indivíduos liberdades que não sejam, evidentemente, maléficas aos outros. É isto que dá origem ao permanente conflito entre a liberdade e a autoridade, e estabelece limites ao princípio de que a autoridade é a fonte da virtude.
(Bertand Russell, A Sociedade Humana na Ética e na Política)
Bom, aproveitando que coloquei um texto do Bertrand, vou escrever um pouco sobre o que penso da educação atual; claro que baseado no ambiente que convivo. Acredito que tem um pouco a ver com os padrões sociais e a liberdade do indivíduo.
O “mercado”, como centro de nossas vidas, levou o mundo a uma procura cada vez maior de realização financeira. E a educação não escapou dessa mentalidade consumista e competidora. O que se observa, são pais e educadores preocupados em formar verdadeiros campeões, competidores de uma maratona de testes que elevam o nome das escolas formadoras de campeões, e a um total esquecimento ou relaxamento de como formar o indivíduo e princípios como ética, humildade e a honestidade.
O que podemos ver são jovens, influenciados por isso, escolherem suas profissões movidos muito mais pela possibilidade de ganhos, do que por afinidade ou realização pessoal.
A mais preocupante das conseqüências disto é emocional, já que, ninguém exerce uma função adequadamente quando não está feliz com sua escolha. E mesmo que a felicidade seja algo considerado ultrapassado, ela ainda é a mestra propulsora da sociedade. Se somos felizes, somos indivíduos melhores; se indivíduos melhores, melhor é o mundo.
Essa semana recebi como indicação para leitura o livro do Gilberto Dimenstein, Cidadão de Papel. Ainda não tive tempo para ler, no entanto, na Folha Cotidiano foi publicado um artigo – O Cidadão de Lixo – também escrito pelo Gilberto. Recomendo a todos a leitura.
Descoberto exoplaneta parecido com a Terra (notícia muito interessante que recebi essa semana)
Criada a lâmpada perfeita (aproveitando, olha esse aqui; LEDs orgânicos fosforescentes aumentam brilho de telas planas)
Supermáquina com 4 chips tem ótima performance em jogos (uma notícia mais recente; Super-chip vai além da tecnologia “multicore”)
Um pouco sobre o Creative Commons, entrevista com Ronaldo Lemos: Entrevista , Craque da CC



